sábado, 22 de outubro de 2011

Meu nome é Rosaide...

Q
uem não se lembra do bordão “Meu nome é Enéas!” usado pelo, então, candidato à Presidência da República, Enéas Carneiro, em suas três tentativas de chegar ao Planalto Central. Mesmo que não tenha alcançado o seu objetivo com o slogan insólito, ele acabou angariando milhares de votos.  Na verdade eu creio que o candidato, à época, jamais tenha tido o seu nome confundido, isto é, provavelmente todos o chamavam pelo nome correto: Enéas, dada a ênfase com que ele o pronunciava. Assim sendo eu pego carona no tal bordão e digo: “Meu nome é Rosaide!”... Entretanto, mesmo que o Word não o reconheça, por favor, não me chame de  Soraide, Zenaide, Rosália, Rosaida, Rosaíde, Rosaura, Soraida, Rosaria, Rosarie. Isso é muito chato! Mesmo que eu o pronuncie, várias vezes, praticamente soletrando... Ro-sai-de, tem sempre alguém que me “batiza” de acordo com o seu “entendimento”, muitos, ao que me parece, deveriam consultar um otorrino, pois dada a pronúncia descabida do meu nome, devem ter problemas de audição. No entanto, ao longo dos meus anos de vida, com o meu nome sendo “distorcido”, algumas vezes propositadamente, aprendi que pronunciar  o nome de alguém corretamente não é somente um sinal de educação, mas também de respeito em relação ao outro, já que desprezar a “identidade” de uma pessoa , além de grave gafe é passar recibo de ignorância.
Filhos devem ser amados e respeitados
Afinal de contas qual é a importância do nome na vida das pessoas? Para a cultura judaica, nomear um recém nascido é uma tarefa sagrada e um nome judaico é o seu chamado espiritual, um título que reflete seus traços particulares de caráter e os dons concedidos por Deus. Já os orientais acreditam que todas as pessoas possuem uma certa "função" na vida, por isso o nome deve ser coerente com o papel que elas irão desempenhar em sua vida comunitária. Manuel é padeiro, Tanaka é tintureiro, e assim por diante, por isso o desafio desses pais é muito grande, pois precisam descobrir logo o “ofício” que o filho desempenhará na vida adulta.

Na verdade o nome é o primeiro “passaporte” que irá possibilitar, já na escola, a inserção social da criança no mundo, pois será com ele que ela será identificada para o resto da vida. Portanto, cabe aos pais uma escolha sensata, que não condicione seu filho a uma situação vexatória, através de apelidos e humilhações. Embora o nome, por si só, não deva ser um fator de exclusão social, muitos pela “designação” demasiadamente infeliz e exótica, fazem com que a criança sofra com as brincadeiras maldosas dos coleguinhas, através dos apelidos e rimas desagradáveis. Assim sendo, o nome próprio, ainda na infância, assume um papel de suma importância. O fato pode até parecer insignificante, entretanto, se lembrarmos que é nessa fase que acontece a primeira “socialização” efetiva do ser humano, o nome ganha relevância. Alguns estudos chegaram a demonstrar que crianças com nomes “estranhos” possuem notas piores e são menos populares que os seus colegas de turma, talvez esta seja a primeira exclusão social. Portanto cabe aos pais um pouco de bom senso na hora de registrar seus filhos, evitando submetê-los posteriormente ao escárnio público, com a escolha de nomes espalhafatosos e extravagantes.
Não faça seu filho passar vergonha
Embora eu tenha passado uma infância praticamente sem problemas devido ao meu nome, pude notar que outros colegas não tiveram a mesma sorte. Agora resta saber de quem é a culpa, das crianças com sua clássica e inteligente criatividade, ou dos pais “sem noção” que ignoram o sofrimento que poderão ocasionar aos filhos, quando resolvem optar por nomes totalmente inapropriados aos pequenos. Às vezes chego a acreditar que a escolha do nome de uma criança deveria passar por uma espécie de conselho “primário” formado por psicólogos, professores, pediatras... A função desse grupo seria a de fazer uma avaliação sobre o critério e o “bom gosto” do nome escolhido pelos pais. Exageros à parte... É óbvio que ser mãe e pai mexe com a cabeça das pessoas, mas, por favor, não precisam “viajar”, afinal de contas esta criança será uma terráquea então não dê a ela nome “marciano”... Ela com certeza, no futuro, demonstrará gratidão, caso contrário, lutará como muita gente para ter o direito de ter um nome "direito".

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Geração depressão

De um momento para outro a vida perde o sentido. A estrutura emocional fica paralisada e comprometida. O sucesso, que havia sido afiançado pelos pais, amigos, professores e pela própria profissão, não aconteceu, ao menos não do modo idealizado e desejado. Diante desse “fracasso” o sujeito, desanimado, se deixa abater pelos próprios pensamentos. Esse pessimismo aliado a falta de perspectiva faz, então, com que ele veja um mundo incolor. Essa profunda desvalorização é o que tem levado muitos indivíduos à depressão, que enfraquece o senso de concentração e observação. Os sintomas são praticamente os mesmos: desânimo, alterações de humor, apatia, cansaço e tristeza; e, para piorar, este parece ser o mal do século. Portanto, dentro deste contexto, torna-se importante aprendermos a lidar com as diversas alterações do nosso estado de ânimo, aliás, é bom lembrar que do momento em que acordamos até a hora de irmos dormir, dependendo dos fatos ocorridos, nesse período, em casa, no trabalho, no trânsito, na rua, e até mesmo através das pessoas que encontramos, somos ou não estimulados positivamente. Essa “manifestação” diária, contudo, precisa ser elaborada de forma reflexiva, para que os problemas não venham a se acumular. Entretanto é bom seguirmos o conselho do renomado escritor Augusto Cury, quando diz “Nunca despreze as pessoas deprimidas. A depressão é o último estágio da dor humana”. Por isso mesmo acredito que não somente somos a geração dos deprimidos como estamos passando às gerações mais jovens a mesma perturbação, já que em certos casos, esse abatimento parece ser contagioso, isto é, os pais estão passando o esboço de suas malfadadas experiências aos filhos, pois a criatura costuma se espelhar no seu criador.
Dessa forma estamos levando adiante essa desordem "epidêmica", já que qualquer pessoa, independente de posição social, raça, idade ou sexo, pode ser acometida por uma profunda melancolia, sem que perceba. O fato é que essa inquietação manifesta-se de forma lenta e gradual, fazendo com que o indivíduo perca aos poucos o controle de sua própria vida. Mas o que tem levado tanta gente a sofrer do mesmo mal? Talvez a resposta esteja na combinação de uma vida permeada por valores superficiais com a falta de objetivos. E, conforme afirmação do médium Chico Xavier Tudo que criamos para nós, de que não temos necessidade, se transforma em angústia, em depressão...”. Talvez o reflexo dessa desordem social esteja no modo de vida que estamos levando: com o vício do álcool e das drogas a atormentar ainda mais nossas almas, perdidas pela falta de uma verdadeira qualidade de vida, cuja essência humana é sumariamente desprezada pelos valores extrínsecos.
  O paradoxo dessa situação está no fato de que a própria sociedade talvez seja a única responsável por este quadro deprimente – perdoe-me pelo trocadilho - em que está vivendo, ou seja, no momento em que propaga e idealiza um modelo de felicidade fictício, comum e possível a todos. Todavia, quando o indivíduo descobre que este arquétipo não condiz com a realidade, o sentimento de frustração e de autopiedade, assim como uma profunda sensação de culpa e fracasso, passam a assombrá-lo constantemente. Assim sendo, os diálogos internos negativos reforçam a desesperança. Então, diante dessa constatação de que a felicidade não é permanente, mas constituída somente por momentos prazerosos, a pessoa é levada a acreditar que a sua vida não tem propósito algum, e diante disso se deixa abater pela apatia, “alimentando” o rancor e o pessimismo por achar que a vida dos outros, em comparação à sua, é muito melhor. A insatisfação passa a dominá-la, e junto com isso vêm também a agressividade e a tristeza Por isso aqui fica um conselho de William Shakespeare, “Guardar ressentimento é como tomar veneno e esperar que a outra pessoa morra”. Talvez, nesse caso, a depressão seja a toxina ingerida paulatinamente, em nome de mágoas passadas . Portanto, faz sentido a frase de Larisse Ribeiro quando afirma que “Depressão nada mais é que um ciclo vicioso pessimista. Quanto mais se pensa, mais se enfraquece; quanto menos se age, mais se afoga”. 
 É óbvio que esta é uma maneira particular de uma leiga interpretar esse transtorno mental. Entretanto, sem uma visão mais realista de suas existências, certas pessoas passam a “romancear” suas vidas, como se fossem contos de fadas, cujo grande final é ditado pela frase E viveram felizes para sempre...” Contudo, é sempre bom lembrar da famosa frase do poeta Vinicius de Moraes  “Que seja eterno enquanto dure...” Até porque a felicidade é um conceito bastante relativo... Na verdade estamos difundindo, cada vez mais, o falso conceito de que tudo podemos e devemos fazer, e mesmo que alcancemos todos os objetivos idealizados, nada garantirá que a felicidade almejada será encontrada, já que a sensação de satisfação pode estar nas coisas simples da vida. Então, que tal amarmos e nos dedicarmos mais aos nossos pais, cônjuges, filhos, irmãos, amigos e até mesmo aos nossos animais de estimação? Amar e perdoar são antídotos eficazes no combate ao veneno que leva à depressão, e por consequência à morte.