terça-feira, 24 de julho de 2012

O cordão dos puxa-sacos promove atraso social


A
o que tudo indica, a expressão “puxa-saco” teria se originado a partir de gíria militar, já que os oficiais não colocavam suas roupas em malas, mas em sacos durante as viagens. Contudo, quem carregava, obedientemente, a bagagem para cima e para baixo eram os soldados. Dessa forma, puxar esses sacos virou sinônimo de subserviência, com isso a função passou a definir todos que bajulavam superiores ou qualquer outra pessoa. Desde então eles podem ser encontrados em todos os lugares: nas repartições públicas, no mundo corporativo, nas escolas e até mesmo inserido no próprio ambiente familiar.
  Quase sempre despiciendo, o bajulador precisa “masturbar” o ego alheio, principalmente se a pessoa, em questão, estiver hierarquicamente numa esfera social acima dele. Decorre daí sua fraqueza e uma dedicação exagerada, praticamente pornográfica, em relação ao outro, já que o referido homo sapiens comumente costuma se regozijar com as migalhas que recebe por sua atuação vulgarmente amadora e teatral, onde a verdadeira intenção é esconder sua falta de talento e competência, ainda que estes não sejam uma regra, pois sempre há exceções. Sendo assim o adulador costuma se adaptar ao meio, melhor do que os demais, por isso qualquer tentativa de exterminá-lo torna-se pura perda de tempo. Talvez por esse motivo o malandro tenha ganhado até um dia especial, 20 de dezembro, data limite para o pagamento da segunda parcela do 13º salário. Época, então, propícia para sair à procura do presente de Natal do respectivo chefe, o importante é garantir a tão sonhada  posição de subserviente. Mas é bom lembrar que “Entregar-se às pérfidas insinuações de um adulador, equivale a beber veneno numa taça de ouro”, Demófilo, arcebispo de Constantinopla no período de 370/380 d.C.
   Apesar de não conseguir emitir luz própria, o sujeito parco de talento e qualidades morais faz sua órbita de forma apagada em torno daqueles que irradiam força e determinação. Infelizmente com isso, não raras vezes, o puxa-saco consegue desviar uma trajetória de sucesso, pelo simples fato de ele, temeroso, sentir-se ofuscado pelo brilho de alguém que ele imagina que possa ocupar o seu lugar. E quem já não se sentiu prejudicado por essa criatura que, aproveita-se da escuridão, assim como um vampiro, para sugar a energia vital daqueles que estão à sua volta, não se expondo jamais à luz da verdade? Entretanto, é preciso fazer justiça ao puxa-saco, que só existe porque encontra quem o alimente, nesse caso o adulado, que precisa demasiadamente ter o seu ego massageado com frequência, porque é tão inseguro e arrogante quanto o próprio despiciendo, já que não consegue lidar com a possibilidade de fracasso ou rejeição às suas ideias, situação que denota em ambos, bajulador e bajulado, as mesmas características: fraqueza, oportunismo, baixa autoestima, insegurança e ignorância. No entanto, Marques Rebelo, jornalista brasileiro, dizia que “Adular não é meio de vida, mas ajuda a viver”. 
    Contudo, estudos indicam que é na crise que o vírus do “puxa-saquismo” se reproduz. Assim, com um ambiente propício, onde os ânimos se acirram e a competitividade exagerada cresce de forma desordenada, mesmo aqueles que pareciam imunes a tal comportamento, passam a desenvolver aspectos semelhantes. É provável que o filósofo grego, Epicteto, tenha percebido o quanto é tênue a linha que separa a vida profissional da vida pessoal, por isso fez o alerta de que “Um adulador parece-se com um amigo, como um lobo se parece com um cão. Cuida, pois, em não admitir inadvertidamente, na tua casa, lobos famintos em vez de cães de guarda.” 
   Em suma, o puxa-saco é, de maneira singular ou pluralista, tão nefasto para o ambiente social e econômico, quanto a própria corrupção, porque contribui de forma particular para que não haja vitória dos justos. Ele só tem um objetivo: cuidar do próprio umbigo. Por isso “Cada frase do adulador é composta de um sujeito, um predicado e um cumprimento.”, Georges Clemenceau, jornalista, médico e estadista francês. Assim sendo, o adulador passa a vida nas sombras sorvendo o “sangue bom” dos competentes, enquanto onaniza o ego dos seus superiores, que personificam e incentivam para o aumento substancial do cordão dos puxa-sacos, cujo comportamento repulsivo acaba contaminando o caráter dos fracos e desmotivando os demais: profissionais talentosos, de fato, que não precisam se valer desses estratagemas para alçarem sucesso, quando não são descobertos e ceifados pelo pérfido bajulador, que com isso costuma tornar a vida no habitat natural de trabalho um verdadeiro inferno, quando alardeia boatos, se apodera de ideias e projetos que não são seus, faz intrigas com o intuito de semear a discórdia, desestabilizando o ambiente. O problema é que não existe, em toda a medicina, um antídoto para combater esse mal, que apesar de, em certos casos, a gravidade da situação ser quase "patológica". Enquanto isso o vírus, que há tanto tempo contaminou o ser humano, continua a fazer vítimas em todos os cantos do planeta, principalmente nos lugares onde a educação e a cidadania são relegadas à posição de inferioridade nas esferas do desenvolvimento social. Diante disso, como diria a Rainha de Copas, assim que for detectado o pusilâmine sujeito, metaforicamente, "Cortam-lhe a cabeça!"
                                                                                                               

sábado, 21 de julho de 2012

Amigos X Amigos


Ao
 longo do tempo fui aprendendo a valorizar somente as coisas “palpáveis” da vida, ou melhor, fui abandonando paulatinamente as demagogias. No entanto, até mesmo decisões como esta têm seu preço, pois ao deixarmos as hipocrisias de lado, passamos à condição de ranzinzas, e talvez esse seja o sinal mais evidente de que estamos envelhecendo ao passo que ficamos mais seletivos. “A natureza dos homens é a mesma, são os seus hábitos que os mantém separados”, Confúcio.
Entretanto, esta semana me envolvi numa polêmica, sem querer, ao decidir responder um e-mail que já havia recebido em outras ocasiões. A mensagem, cujas imagens mostravam várias pessoas – mulheres – nas mais variadas fases de suas vidas, afirmava que temos uma amiga para cada ocasião: para viajar, chorar, ir ao cinema, comprar, rir... Concordo que não há uma pessoa igual à outra, e que pode haver, de fato, num determinado momento, uma identificação maior com uma amiga do que com outra, dependendo do contexto e da situação. Pois enquanto profissional da comunicação, muitas vezes tenho a necessidade de conversar com outras pessoas da mesma área, até mesmo para uma troca de experiência. Contudo, essa igualdade existente na humanidade explica a diversidade como resultado da desigualdade de estágios existentes no processo de evolução. Assim é normal que em nossas relações sociais busquemos indivíduos que compartilhem das nossas afinidades. Isso para o ser humano é muito enriquecedor, pois permite o seu desenvolvimento social e intelectual.
No entanto, discordo completamente dessa ideia de que para cada momento na vida há um amigo oportuno. Isso é o mesmo que afiançar que a amizade pode ser fracionada. É como dizer que não se tem nunca alguém por inteiro.  Então quando eu estiver com problema profissional devo procurar uma amiga da mesma área, outra quando estiver desiludida da vida, outra para discutir sobre decoração, filhos, amores... A isso eu chamaria de conveniência e não de amizade. É óbvio que com cada pessoa com quem nos relacionamos os assuntos são diferentes, pois cada uma tem a sua própria história, cultura, conhecimento... Contudo, nós continuamos intrinsecamente sendo os mesmos. Com isso devo concluir que um amigo com quem converso sobre jardinagem não poderá dialogar sobre problemas existenciais? Talvez não, pois é provável que ele nem seja meu amigo, e sim um colega ou ainda um amigo eventual. Eis a questão: comumente amizades aleatórias são elevadas ao mesmo patamar de amizades construídas pelo tempo, fundamentadas sob  estruturas sólidas, alicerçadas na confiança e na transparência. A amizade não pode ser pontuada por conveniência e ainda menos por condicionamentos  culturais, por isso concordo com a frase “Os amigos têm tudo em comum, e a amizade é a igualdade”, Pitágoras.  Amigo, como diz o velho ditado, é “pau pra toda obra”, ele se dignifica a escutar sempre, e não somente o que e quando lhe convém. Ele deve respeitá-lo, amá-lo, também, na chatice e na doença, na alegria e na tristeza... Ele precisa, ainda, sempre que possível, estar presente e ser participativo. A amizade é igual a uma planta: necessita, pelos seus jardineiros, constantemente ser adubada, regada, caso contrário não há como mantê-la viva. Assim, para que não morra com o tempo “Não deixes crescer a erva no caminho da amizade.”, Platão.
E nesse dia 20 de julho, data comemorativa ao Dia do Amigo, o que mais se viu nos sites de relacionamentos foram frases prontas, homenagens... todas emitindo um eco estridente ao enaltecer a importância dos amigos, sejam eles reais, virtuais ou ornamentais. Com isso nada mais resta do que deduzir que a frase do marquês e escritor francês, Luc de Clapiers Vauvenargues “O ódio dos fracos não é tão perigoso como a sua amizade”, faz todo o sentido, neste momento atual da humanidade. Porém, devido a nossa herança cultural fomos acostumados a reagir contra todos aqueles que fogem dos padrões aceitos pela maioria da comunidade, por isso experimentei a rejeição aos meus argumentos, quando senti a necessidade de responder ao tal e-mail, ainda que a pessoa que me enviou, esteja muito longe de merecer qualquer tipo crítica, o problema é que ao expor a minha opinião a ela, acabei enviando para os outros “amigos”, também, através de cópia oculta, o que acabou gerando um mal estar, pois a maioria entendeu que eu não os considerava amigos verdadeiros, fato que eu imaginava que muitos até soubessem, pois nada entre nós evidencia o referido sentimento. No entanto, isso não significa dizer que eu não gosto dessas pessoas, ao contrário, tenho por todas elas enorme consideração. E cada uma tem sua relevante participação na minha vida. Ainda assim só consigo chamar de amigo aquele com quem eu divido minhas preocupações, neuroses, loucuras, medos, decepções e obviamente minhas alegrias... E isso é fazer justiça a quem de forma efetiva está sempre ao meu lado, se dispondo a ouvir, a apoiar e, principalmente a manter a consolidação da relação.
Em suma, amigos verdadeiros são aqueles, como diria um velho amigo dos tempos da faculdade, que costumam usar o “capacho” colocados à entrada de nossas portas, de casa... “Amigo é aquele que sabe tudo a seu respeito e, mesmo assim, ainda gosta de você”, Kim Hubbard, jornalista americano. Concordo, portanto, inteiramente com a frase de Aristóteles “Ter muitos amigos é não ter nenhum.” Com isso encerro essa discussão, com o lindo título da música de Oswaldo Montenegro: A Lista.
♪Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais...
 Sendo assim, FAÇA UMA LISTA!




sábado, 7 de julho de 2012

A magia que veio da fumaça

A
Cleópatra: ela sabia como seduzir
 história evidencia que a arte da perfumaria começou logo que o homem primitivo jogou ao fogo ervas aromáticas. Assim nasceu o perfume, cuja expressão deriva do latim “per fumum” ou “pro fumum”, que significa através da fumaça.  Desde então o homem, por vaidade e/ou superstição, fez uso dessa fragrância nos mais variados segmentos de sua história, seja na vida ou na morte. Já na tumba egípcia de Tutankhamon, arqueólogos descobriram resíduos de unguentos perfumados, usados há mais de três mil anos. Conta a lenda, ainda, que a rainha do Egito, Cleópatra, fervorosa usuária de perfume - cuja base era de óleos extraídos de flores -, teria se utilizado desse artifício para seduzir Marco Antônio e Júlio César. A verdade é que o olfato, esse importante sentido, tem o poder de nos transportar para um mundo de emoções associadas a memórias dos aromas. A antropologia diz que antigamente os odores eram percebidos e valorizados de maneira bem diferente do que atualmente, sendo que algumas escolas antigas de Arte estimulavam seus aprendizes a distinguir as doenças físicas das psicológicas, tão somente pelo odor que a pessoa exalava. Com o perdão do trocadilho, talvez venha daí a raiz da expressão “Não fede nem cheira”. Entretanto, nem tudo são flores na história do perfume, que já foi o grande responsável pela morte de milhares de animais, entre eles os veados almiscareiros, cujo número de mortes chegou a 50 mil, somente no ano de 1900, quando cerca de 1.400 kg do óleo foram coletados. Talvez dentro desse contexto de perversão e loucura para extrair o suprassumo do bálsamo o genial Patrick Süskind, escritor e jornalista alemão, tenha se inspirado para escrever o romance O Perfume - A História de um Assassino, que acabou ganhando, em 2006, as telas do cinema. 
       Entretanto, apesar dos apelos afrodisíacos que a maioria das fragrâncias traz em sua composição, há quem não se deixe “contagiar” pelo seu poder olfativo, preferindo assim o odor natural, o que, em tempos remotos, pôde ser comprovado através da famosa carta de Napoleão Bonaparte à sua amada Josefina, dois meses antes de retornar: “Pare de tomar banho! Estou voltando”. O que indica que ele gostava mesmo era de um mau cheiro. Inhaca! Há gosto pra tudo! Porém, bem mais limpinho parecia ser o profeta Maomé que teria dito: “Três coisas são importantes para mim na Terra: mulheres, perfumes e orações”. Já em outra ocasião teria declarado: “O perfume é o alimento que nutre meus pensamentos”.
       Mas o que revelar da personalidade de uma pessoa, somente pelo perfume que está usando, isso seria possível? Não creio que haja uma resposta definitiva para essa pergunta, porém acredito que a total falta de gosto pelos perfumes revele enfim algum traço típico no indivíduo. Embora seja fácil sabermos a classe social a que pertence uma pessoa “bem perfumada”, já que alguns perfumes atingem valores exorbitantes. De uma forma particular gosto de comparar as fragrâncias às músicas, onde as “notas” se mesclam, e através da percepção singular de cada ser em si é possível conhecer um pouco mais da sua essência, sem preconceito. A individualidade das fragrâncias tem a capacidade de nos remeter, assim como uma música, a lugares e momentos que marcaram nossas vidas, por trazer à memória essas ocasiões especiais e únicas.
Clive Christian’s Imperial Majesty
 R$365.500,00
      Assim leves ou encorpados, florais ou amadeirados, aldeídos ou sintéticos... os perfumes devem ser usados, segundo recomendação de quem entende do assunto, nos lugares onde existe maior circulação sanguínea e mais calor: atrás dos joelhos; entre o braço e antebraço; atrás das orelhas e no pescoço. No entanto, torna-se imperativo lembrar que mesmo que o seu perfume seja “top de linha” o menos é mais, assim evite os excessos, principalmente se for permanecer por muito tempo em lugares fechados, para evitar comentários desagradáveis. Marque sua presença sensitiva de forma sutil e harmoniosa. Assim jamais será esquecida. Agora torna-se fundamental a escolha de um bom perfume. Contudo, não adianta se guarnecer de perfumes caros quando a alma e o caráter estiverem bolorentos, pois, segundo alguns especialistas, as fragrâncias exalam um pouco da essência natural daqueles que fazem uso delas. Lembre-se ainda que sem banho d'água não há perfume que dê jeito, o "tiro" nesse caso pode sair pela culatra, e aí não tem fragrância que resolva.

      E como diria a cantora brasileira Elba Ramalho: Um banho de cheiro pra vocês que por aqui passaram...
      
  

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Bullying é quebra de berço



O
 assunto não é novidade, mas ainda provoca inquietação e mal estar àqueles que de certa forma sofrem ou já padeceram com o assédio moral. Devido ao rebuliço que costuma acarretar à vida das pessoas, já que muitas permanecem estigmatizadas para sempre. Entretanto, é comum o fenômeno ser tratado na maioria das vezes pelos pais e educadores como uma brincadeira inofensiva. Contudo, dados apontam que, muito mais do que possa parecer, o bullying causa uma desordem social, quando desestabiliza o meio, seja ele na escola, no trabalho e até mesmo dentro de casa.  
    No entanto, recentemente li um artigo onde essa questão fora abordada de forma complacente, cuja intenção do autor era o de desmerecer todo o trabalho de conscientização realizado por muitos profissionais sérios e competentes em torno do polêmico tema. O paradoxo estava justamente no fato de o “articulista”  autointitular-se um “aplicador de trotes”, mesmo que o reverso da medalha tenha sido recíproco. Mas assim são os idiotas: amam participar das suas próprias tolices. Quando que humilhar e ferir alguém pode ser normal? Só mesmo um palerma pode considerar o bullying como sendo um processo natural que todo ser humano deve passar, para assim crescer psicologicamente. Será que esse sujeito ia gostar de ver seus filhos sofrendo vexames em público? Aí está o problema: o grau de ignorância dos pais que não sabem educar com responsabilidade. Além do mais, muitos não conseguem nem ao menos servir de exemplo à sua prole. E assim cria-se um círculo vicioso. E quem leva a pior são os filhos daqueles que receberam adequada educação.
  Com frequência pesquisadores divulgam suas conclusões sobre determinado perfil daqueles que praticam o bullying ou mesmo daqueles que sofrem tais provocações. Diante disso, debruço-me de forma livre e descomprometida, fazendo uma interpretação aberta desses estudos para dizer que os motivos podem ser os mais variados: conquista de status social; elevado nível de agressividade; incapacidade de se colocar no lugar do outro; preconceito social e discriminação... Tudo isso junto, talvez... Contudo, todas essas atitudes tem um “quê” de maldade e falta de compaixão, quiçá um sadismo velado, coisas que denomino como quebra de “berço”. Isto é, se o sujeito não tem uma base familiar amparada na justiça e no amor ao próximo, como poderá entender que a prática do bullying é repulsiva e pode destruir a autoestima do outro?
     Assim sendo, ao ler um artigo tão imbecil, totalmente sem propósito, tive a certeza de que este fenômeno está longe de ter uma solução. E, enquanto isso, muitos ainda sofrerão nas mãos daqueles que se regozijam com o sofrimento alheio. Comportamento típico de certos humanos.
EFEITO BOOMERANG -  VAI E VOLTA. Por considerar relevante à defesa do tema, vou aqui contar uma história que ocorreu há alguns anos, numa grande empresa na qual trabalhei, quando a atitude inconsequente de um jovem, até então considerado promissor, por sua chefia, o colocou na condição de algoz e de desempregado, quando por insensatez resolveu alterar e reprogramar a máquina na qual seu colega trabalhava. Sem saber que a máquina estava ligada o pobre homem colocou a mão entre os cilindros, e dessa maneira teve a mão decepada. Interrogado pelo RH da empresa, o funcionário, responsável pelo trágico trote, confessou, ainda surpreso, que havia calculado mal a “brincadeira” - o tempo de funcionamento da dita máquina -, já que não tinha sido a primeira vez que fizera tal molecagem com o colega de trabalho.  Moral da história... Não há moral!  
        Portanto, é bom lembrar que atualmente as empresas estão cada vez mais atentas a esse tipo de comportamento, ou seja, em seus quadros de empregados, o caráter está cada vez mais sendo observado, e quem não se enquadra é colocado no olho da rua. Justiça seja feita: há pouco tempo, uma amiga, uma mulher bonita, - no amplo sentido da palavra - foi designada a contratar uma profissional para atuar na área de projetos. Mas como o mundo costuma dar voltas, e tudo o que vai volta, ela de repente se viu diante daquela que infernizara sua adolescência, colocando-lhe apelidos infames: magrela, pau de virar tripa, branca azeda... É óbvio que a surpresa foi recíproca. Ainda que minha amiga não seja vingativa, não optou por alguém cujo caráter ela bem conhecera, no passado.   
Embora esse problema, nos últimos anos, venha ganhando espaço junto à mídia, muito mais por questões sociais, suscitadas por algumas celebridades que a partir de lembranças tristes do tempo de infância e adolescência, e da indignação pela percepção do descaso por parte dos responsáveis que nada fizeram para combater tais abusos, o bullying, por sua característica nefasta, deve ser combatido por todos os setores da sociedade. “Na escola me chamavam de Bocão Royal e de magrela sem graça”, contou recentemente em entrevista, Alline Morais, atriz brasileira. Até mesmo alguém totalmente dentro dos padrões convencionais de comportamento e beleza está sujeito a sofrer na mão dos “invejosos”, esse parece ter sido o caso da duquesa de Gales, mulher do príncipe William, Kate Middleton.
     Em suma, a extensa lista daqueles que sofreram humilhações evidencia que o propósito dos agressores é sempre o mesmo: provocar no outro o rebaixamento da autoestima e a humilhação pública. Contudo, um retrocesso nesse quadro gradativo de submissões a que são expostos certos indivíduos, considerados diferentes dos demais, tanto no ambiente escolar quanto no corporativo pode contribuir para um avanço significativo na qualidade de vida de todas as pessoas, e assim diminuir esse histórico de violência em que vive nossa “implicante”  sociedade. 

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Preconceito e covardia contra os idosos


D
ados indicam que a população mundial está envelhecendo cada vez mais, ou seja, como a “qualidade” de vida vem aumentando, pressupõe-se  que haverá dentro de poucos anos um significativo crescimento da parcela de idosos, no planeta. No entanto, a maioria das pessoas mais jovens se esquece de que muito mais cedo do que possa imaginar, logo, também, estará inserida nessa estatística. Envelhecer faz parte da natureza biológica da vida, e dessa sina só há um modo de escapar: morrer antes de atingir a velhice. Parafraseando o dramaturgo brasileiro, Nelson Rodrigues, “Até os canalhas envelhecem”. Contudo, ironicamente muitas pessoas fazem de tudo para retardar essa fase, e assim prosseguem no seu singular delírio juvenil. Porém, isso é assunto para outro momento.
     A importância do tema se dá num tempo onde foi necessária a criação de uma data específica, 15 de junho, Dia Internacional de Combate à Violência Contra a Pessoa Idosa, com a finalidade de lembrar à sociedade que os idosos estão sofrendo agressões físicas e psicológicas, muitas vezes dentro de suas próprias casas, a mesma que construíram com o suor do seu rosto. Sem contar que, não raras às vezes, são eles que provêm, com suas parcas aposentadorias, o sustento de filhos e netos. Justamente eles que deveriam estar aproveitando a vida, desfrutando da tranquilidade a que têm direito, já que construíram um lar e proporcionaram aos seus filhos, com esforço e muita labuta, aquilo que puderam, com a melhor das intenções. Todavia, agora, sofrem humilhações e o desprezo daqueles que deveriam lhe beijar as mãos, frequentemente, como forma de agradecimento e consideração. Desse modo, humilhados e ultrajados muitos idosos perdem a vontade de viver e acabam se entregando mais rapidamente a doenças e a depressão, como cita a famosa frase do escritor francês, Honoré de Balzac, “O homem começa a morrer na idade em que perde o entusiasmo”. Mas quem deseja viver subjugado e desprezado por aqueles a quem mais ama?
Ato covarde e criminoso
     O texto torna-se relevante no momento em que campanhas alertam para a necessidade do cumprimento do estatuto de proteção ao idoso. Nesse espaço a abordagem do assunto se dará de forma a levar o caro leitor à oportunidade de refletir sobre a maneira como vem tratando os idosos e até mesmo os seus próprios pais. Há algum tempo venho observando a maneira prepotente como algumas pessoas costumam tratar os mais velhos. Essa forma ignorante e desrespeitosa me leva a acreditar que a falta de bom senso se dá no momento em que elas imaginam passar incólumes por essa etapa - igualmente tão importante como qualquer outra que já tenham passado -, quando na verdade deveriam estar se preparando para entendê-la e recebê-la de forma plena e serena. Afinal seria interessante levar em conta que “Qualquer idiota consegue ser jovem. É preciso muito talento pra envelhecer”, frase atribuída ao jornalista e cartunista brasileiro, Millôr Fernandes. Seguindo esse raciocínio se conclui, então, que chegar à velhice é de certa forma uma vitória, é ter conseguido alcançar o ápice das experiências da vida, conduzida por determinação e obstinação. Entretanto, como se explica tanto preconceito e o fato estarrecedor que mostra um aumento progressivo na violência contra pessoas idosas?
     A maneira preconceituosa eleva o nível de descaso para com esse grupo etário, que consequentemente sofre todo tipo de abuso da sociedade quando é obrigado a viver com uma mísera aposentadoria; quando não consegue atendimento médico; quando é esquecido em filas de espera; quando não consegue um lugar adequado no transporte público, quando é simplesmente desrespeitado e o pior de todos os “pecados”: quando não é honrado pelos próprios filhos, muitas vezes seus algozes. Que mundo estamos deixando para os nossos filhos quando não respeitamos os mais velhos e atentamos contra o maior de todo os fundamentos humanos: honrar pai e mãe, cujo conceito deveria ser universal. E como já disse o dramaturgo e escritor Marquês de Sade, “Não há outro inferno para o homem além da estupidez ou da maldade dos seus semelhantes”, imagine, então, se esse semelhante possuir o mesmo sangue, é como ser mordido por quem você alimentara a vida toda. Isso é cruel e irracional! Nem os animais fazem isso! Aliás, acredito mesmo que estes são muito melhores que muitos seres humanos.
     Entretanto, essa questão da negligência crescente contra os idosos, como um fenômeno quantitativo, repercute nas formas de visibilidade social. Diante de tanto abuso cometido contra os idosos, a conclusão que podemos chegar é que o ser humano além de estar totalmente perdido quanto à criação dos filhos, ainda atira seus próprios pais no mais profundo abismo, quando se nega a cumprir sua natural obrigação de garantir aos seus progenitores, nos seus últimos anos de vida, dignidade e amor. Aqui vale lembrar então, que toda ação gera uma reação. O mundo gira e amanhã o ancião da família será você... Portanto lembre-se que “Cada idade tem a sua beleza e essa beleza deve sempre ser uma liberdade” Robert Brasillach, jornalista francês. Assim sendo, não aprisione aqueles que ajudaram a construir um mundo melhor. Há muito mais a aprender com essa geração do que se possa imaginar. Aos filhos só um “conselho” ditado no quarto mandamento de DEUS...
Honrar PAI E MÃE

sábado, 16 de junho de 2012

Felicidade e simplicidade


B
aseado nos fundamentos da minha própria observação cotidiana, este texto reflete o modo como o homem conduz sua vida rumo à felicidade. No cenário moderno é onde se confirmam dificuldades e a fragmentação do relacionamento do homem contemporâneo com a natureza. O conceito de felicidade é singular e até mesmo questionável, quando nesse último caso o ser humano tem a falsa ideia de que coisas e pessoas são fundamentais para alcançar essa condição tão particular. Embora a maioria dos seres humanos anseie por sucesso, bem estar financeiro, vida social e vida amorosa bem resolvida, a verdade é que nem a junção de tudo isso garante a propagada plenitude espiritual. Na linda melodia “Tocando em frente” cantada por Almir Sater, há uma frase que sintetiza bem essa questão quando diz que ♪ “Cada ser em si carrega o dom de ser capaz e ser feliz...” Pegando carona nessa premissa se pode afirmar que muitas vezes boicotamos nossa própria felicidade, quando deixamos de seguir nossa intuição por medo ou porque preferimos índices baixos de satisfação pessoal do que lidar com um grau mais elevado de contentamento... Provavelmente isso acontece com aqueles que já se acostumaram com a vida medíocre que costumam levar. O desafio provoca medo e assim o sujeito se acomoda, já que existe uma corrente que propaga que a infelicidade é condição fundamental à entrada no paraíso celestial. Assim as raízes do conformismo ganham forças no subconsciente. Simples assim? Talvez. Na verdade o ser humano no seu âmago possui condições básicas que o levaria facilmente ao apogeu.  Mas como é da sua própria natureza, ele sempre quer mais, por isso raramente reconhece os sinais de felicidade quando à sua frente. Uma letra de música, considerada brega pela maioria dos pseudo-intelectuais, dizia que a ♪ “Felicidade não existe o que existe na vida são momentos felizes...” Creio que essa teoria é válida para uns, porém para outros há a certeza de que a procura pelo eterno regozijo com a vida não passa de utopia.

     No entanto, nesta semana fui surpreendida pelo encontro inesperado com um “velho” amigo, coisas da vida ou do destino como queiram alguns. Ele está fora das redes sociais, ou seja, não pertence ao mundo virtual. Comprou uma pequena propriedade no interior, e lá fez seu refúgio. Jornalista inteligente, bem articulado, usa a internet somente para realizar pesquisas  - só para isso e nada mais. Segundo ele, nunca esteve tão feliz, entre cães, gatos, cavalos, galinhas, codornas, ovelhas... Detalhe: é vegetariano. Convive com os animais por amor. Cansado da vida urbana equipou um sítio num condomínio fechado. Está feliz! 
Coincidentemente há poucos dias, em entrevista, ouvi mais duas pessoas afirmarem o mesmo: são imensamente felizes, e que não trocariam o lugar e a maneira de viver por qualquer outro lugar ou estilo, no planeta. A primeira delas, uma adolescente que mora numa palafita, na zona alagada da Amazônia. Ela afirmou que se considera uma pessoa privilegiada, ao enaltecer a exuberante riqueza da região onde mora, o que lhe proporciona contato diário com os botos “rosas” do lugar. A segunda pessoa, um biólogo aposentado que passa o dia inteiro dentro de uma extensa área de mata atlântica, catalogando as espécies que vivem naquele ecossistema, afirmou que não trocaria sua humilde cabana (que não era tão humilde assim) pela mais linda mansão. Ele também classificou a própria existência como sendo abençoada. O caro leitor já conseguiu identificar o que têm essas pessoas, tão diferentes entre si, em comum? Pois bem, esses “felizardos” estão inseridos na natureza. Isto é, o contato com a natureza é, sim, ponto essencial para quem busca a paz e o equilíbrio interior.  A fuzarca das grandes cidades: trânsito, insegurança pública, correria... Tudo isso acaba provocando uma desordem interna, levando à ansiedade, à depressão e à constante insatisfação pessoal. E com isso o conceito que permanece é de que está faltando sempre alguma coisa. Diante dessa ideia equivocada corre-se atrás de futilidades com a certeza de que estas suprirão as lacunas existenciais.
    Diante desses argumentos, então, se pode afirmar que o homem, embora tenha conquistado aparatos tecnológicos de grande relevância e lutado pelas comodidades da vida moderna, não garantiu com eles a sensação de bem estar pessoal, porque está faltando o bem estar ambiental. Respirar ar puro, conviver com os animais, pertencer a um mundo mais simples, sem abrir mão do conforto básico, além de estar mais próximo à natureza pode levar a uma significativa qualidade de vida e a uma satisfação pessoal efetiva, quiçá a verdadeira felicidade.  Na verdade quando conseguirmos levar o mesmo nível de “facilidades” ao campo, sem provocarmos alterações ao meio ambiente, talvez o homem não queira mais sair do seu regalo. Certa vez Mahatma Gandhi disse que “Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho”.




domingo, 20 de maio de 2012

Fé de mais ou fé de menos?





S

em a intenção de ferir ou mesmo frear a crença de ninguém, faço aqui uma livre interpretação daquilo que venho observando há muito tempo: a comercialização da fé. No entanto, atravessar para outra dimensão onde as pessoas vivam de acordo com regras mais humanas, como ética e responsabilidade, pode até parecer ateísmo, mas na verdade é a minha particular maneira de pensar que se continuarmos a delegar nossas faltas a terceiros - padres, pastores, rabinos... -  nunca alcançaremos evolução espiritual significativa.

Rumo à paz celestial: caminho dividido

Sendo este um tema sempre recorrente entre filósofos, psicólogos e antropólogos, a fé, como acredita a grande maioria deles, nada mais é do que uma magnânima construção da mente. Teoria defendida pelo filósofo dinamarquês, Soren Aabye Kierkegaard, quando disse que a fé induz ao pavor, porque além de não contar com o apoio da razão, exige que o ser humano vá além dela e caia no absurdo. Já para São Tomás de Aquino, Deus não reconhece divergências entre fé e razão, visto que a primeira é uma disposição que transcende a alma e ignora a última. Mas, aos olhos dos fiéis, Deus não é uma fantasia ou um agregado mental do ser humano. Ele integra a própria estrutura humana e lhe confere a vocação transcendente, que impulsiona o homem a ir além de si, a aspirar o infinito, a reconhecer suas limitações - enfermidade, mortalidade, fraqueza, desacerto e pecado -, que o desafiam a respeito do sentido da vida, do sofrimento, da morte e da pós-morte. No entanto, essa questão, por seu caráter abrangente e instigante, está longe de alcançar consenso entre as partes. Enquanto isso, cada vez mais, fiéis sofrem com o assédio ostensivo dos “caçadores” de devotos.   E nessa “guerra santa”, ardem interesses escusos, cuja intenção é o arrebatamento de novas “ovelhas” aos mais variados “rebanhos/santuários”. Assim muitos crentes, em nome de Deus, são pleiteados de forma acintosa e irracional, cujo verdadeiro propósito é o arrecadamento de dízimos aos cofres “templários”. 

O inferno de Dante: onde todos jamais querem conhecer
         Obviamente o “negócio” tem se mostrado bastante vantajoso, tanto que a briga  para ver quem arregimenta mais devoto está acirrada e vale tudo: desde a promessa de paraíso pós-morte ao exorcismo dos demônios carnais. O estopim foi acesso e a guerra santa deflagrada. O que ninguém sabe é onde tudo isso vai parar, já que supostamente para se alcançar a salvação espiritual muitas igrejas exigem o pagamento de dízimos, como forma de aplacar os vícios daqueles que almejam a paz celestial. Contudo vale a pena pensar... Qual igreja se sustenta sem as tais “ofertas”? Aí começa a controvérsia: contribuição monetária e fé são compatíveis? Quanto vale a fé do povo?
     O fato relevante a ser lembrado é que o “pacto” secular estabelecido entre ladinos e fiéis sempre aqueceu o lucrativo mercado religioso. Assim sendo, enquanto o primeiro prospera à custa da crença e da ingenuidade e/ou credulidade alheia, o segundo convenientemente transfere suas expiações para terceiros, com o intuito de “zerar” seu déficit no plano dos mortais. E assim devotos e ladinos acreditam que se livrarão do inferno de Dante. Quem morrer verá... ou não.

                                              LUZ E PAZ A TODOS! 


quinta-feira, 10 de maio de 2012

A Mãe que balança o berço



     Ao longo da história da humanidade a mulher teve como marco de valor a procriação. Esse era o papel social que ela deveria desempenhar com louvor. E, ainda hoje, a sociedade joga sobre a fêmea humana toda a responsabilidade de colocar um filho no mundo, sem dar a ela o direito de “sofrer” com os seus próprios conflitos, dúvidas ou medos. Qualquer sentimento menos nobre diante de um bebê que chora sem parar ou que ela teme perder é considerado “antinatural” e ameaça um determinado ideal de maternidade. No entanto, já no final do século passado, a pressão em relação à obrigatoriedade de uma mulher ser mãe diminuiu bastante. Diante disso muitas mulheres adiaram a intenção de balançar o berço ou simplesmente descartaram completamente essa possibilidade.  Porém, para a sorte da espécie humana, a maioria, açoitada pelo desejo de ser mãe, decide atender ao chamado inexplicável da natureza, quando escuta seu relógio biológico despertar. Assim sendo, ela parte em busca dessa particular e intrínseca realização feminina. Mas o que de fato leva uma pessoa a desejar e amar alguém mais do que a sua própria vida? Que mistério esconde tamanho anseio, quando racionalmente não se sabe quem estará a caminho? Como explicar essa decisão pura e simples, quando é de conhecimento de todos que um filho não garante absolutamente nada: segurança, amor, lealdade e felicidade. Então, onde está a racionalidade nessa escolha, quando ela sabe que perderá horas de sono, após o nascimento do filho, e que ele será uma caixinha de surpresas, quiçá de decepções? Será que a resposta está nas profundezas dos genes que ditam as primárias ordens de que é preciso dar continuidade à espécie, garantindo dessa forma que o ser humano não venha a desaparecer?
     Embora eu esteja inserida nesse universo feminino que fora levado pelo desejo veemente à realização materna, o intuito aqui não é fazer marketing pessoal. Porém, justiça seja feita, ser mãe é o “cão chupando manga”, aqui a conotação adotada vem do nordeste, que dá à expressão popular a conexão de qualquer coisa superlativa à pessoa: sábia, fera, valente, determinada, intuitiva, bondosa, de múltiplos talentos e capaz de atos extraordinários... Eis o motivo da minha definição nordestina: perfeita para esse caso; nada aqui definiria melhor uma mãe. Ela que precisa ser multifacetada para dar conta dessa difícil tarefa, já que, em pleno século XXI, os filhos estão cada vez mais órfãos de pai, devido à falência generalizada das relações conjugais, e, para piorar, o mundo está cada vez mais caótico: materialista e individualista.

     Contudo, uma boa mãe faz a diferença na vida de um filho, seja ela biológica ou não. Mãe é mãe! Só ela é capaz de um amor incondicional, cuja capacidade transcende valores, definições e conceitos. Sua nobreza afaga a alma quando sua disposição é de simplesmente amar, seja na dor, na tristeza, na alegria e na decepção, sem com isso esperar nada em troca. Para o dramaturgo, escritor e poeta irlandês, Oscar Wilde, “Não tem no mundo flor em terra alguma, nem no mar e em nenhuma baía pérola tal, como um bebê no regaço de sua mãe”. Ela que desde que sentiu seu filho em seu ventre pela primeira vez estabeleceu com ele, antes mesmo de dar à luz, um diálogo único, profundo, misterioso e maravilhoso.  Como, então, dar a essa mulher um dia de homenagem, quando por sua importância e dedicação merece ela ser reconhecida todos os dias do ano. Já que sempre atua como contundente protagonista de forma a relegar aos outros amores os papéis de coadjuvantes. Mãe é aquela que jamais deixa de balançar o berço da vida para que os sonhos dos seus filhos sejam acalentados pela alma de uma existência feliz. “Jamais na vida encontrareis ternura maior, mais profunda, mais desinteressada nem verdadeira que a da vossa mãe”, frase proferida pelo célebre escritor francês, Balzac.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Barbie em carne e osso


     O enfoque conferido neste texto não será a transformação do corpo, também não pretendo dar ênfase ao “arsenal” de futilidades que conferem à boneca esquálida e oxigenada um ar arrogante, e sim as tentativas de camuflagem da mesma através de uma lógica de consumo, onde a principal recomendação do mundo da moda é que a sociedade somente avaliza sucesso e felicidade às jovens que possuírem o mesmo padrão de beleza da boneca. E o que estava ruim, ficou péssimo. Eis que, nos últimos tempos, surgiram indícios de que a Barbie existe, ainda que num lugar longínquo, muito além dos trópicos. E o que fazer agora? Ela é esquelética, tem cara de manequim de loja, se veste igual a Xará e parece tão superficial quanto à própria. Mas isso não importa. Infelizmente para desespero de muitas meninas, apareceram muitos “Kens”, também musculosos e cabeças ocas, interessados em conhecê-las melhor.
     Mas o que preocupa nessa história, além dos vários relatos de bulimia, anorexia e tantas outras doenças que acometem muitas meninas em busca de uma imagem idealizada de Barbie, é que com o surgimento da criatura em carne e osso - muito mais osso que carne, diga-se de passagem -, surge o temor de isso virar uma tendência delirante entre a garotada que deseja alcançar o mesmo estereotipo de beleza. Num mundo onde uma grande parcela de crianças e jovens, vivendo em zonas urbanas, está acima do peso, torna-se impossível pensar numa imagem tão impregnada de simbologia, e, ao mesmo tempo, conferir a ela o poder de determinar um padrão estético de beleza, que não condiz com a realidade da maioria que considera ser esse o verdadeiro conceito feminino de perfeição a ser alcançado. Aqui se abre um abismo. Ser magra, loira, alta... foge completamente do biótipo físico da grande maioria das mulheres. Estar fora desse modelo, então, passa a ser um flagelo; para muitas é a morte. Assim o dramalhão causado pelo exagero ganha fôlego e leva à culpa e à depressão.
     O argumento proposto não impõe uma caça às Barbies, bonecas ou não. Porém, leva a uma análise, sob um contexto sócio-cultural, de como esse “brinquedo” pode transformar essa ficção infantil numa fixação juvenil, onde o fetiche e a simulação da conquista do parceiro estão atrelados a uma falsa identificação, cuja intenção é mostrar o mesmo porte físico, ainda que seja tísico. E mesmo que o fabricante coloque-a na selva, na cozinha, como engenheira da computação, apresentadora de telejornal, trabalhadora, esposa... ela não perde a pose. Sempre sorridente, bem escovada, “face” rosada e em “boa forma” - de palito. Sua feição trai sua cinquentenária experiência, isto é, não evidencia que ela seja real, porque não é mesmo.  Nós sabemos disso, e as crianças que fazem dela, ainda que inconscientemente, um modelo a ser seguido, e agora descobrem que a criatura fala e anda, pensam o quê? Elas estendem o conceito de bonecas ao encapsularem a sua relação com o mundo da moda, onde modelos reais, desfilando em passarelas, personificam a brincadeira e agregam valores questionáveis, já que ditam tendências no vestuário, aparência, beleza... é o consumismo aliado ao que o capitalismo tem de pior: criar disparidades sociais. Dentro desse conceito há uma falência efetiva da real representação feminina que come, adoece, engravida, envelhece... Ainda que sejam representações da fêmea humana independente, as bonecas não expressam nenhum sentimento de desânimo, raiva, amor, ciúmes, rancor, tristeza... E as verdadeiras, ou seja, as pretensas candidatas enveredam pelo mesmo caminho, puxando para si a posição de representante legítima da famosa boneca.
     O caro leitor deve estar se perguntando onde eu pretendo chegar com esse artigo. Alguém já pensou em criar uma Barbie cinquentona? Ao invés dos cabelos amarelos, brancos; com rugas, se bem que hoje tem o botox. Ela provavelmente seria siliconada, enxuta e magra? Sim, pois passou a vida se alimentando de alface, e muito debilitada, arrependeu-se do regime a que forçou suas fãs, as crianças, a fazer. Mas, deixando a boneca de lado, já que está na hora de acabar com a brincadeira. Voltemos, então, às candidatas reais. Elas moram na Rússia, Polônia... Nos lugares gélidos da Terra, nem poderia ser diferente. Não poderiam pegar o sol dos trópicos; não podem nem mesmo, aos finais de semana, comer chocolate, arroz, feijão, massa, pizza, batata... Todas essas delícias de uma boa mesa, pois só comem folhas verdes, de segunda à segunda, são praticamente animais ruminantes. Elas estão sempre de dieta, e então também devem estar sempre de mau humor. Fazer academia, nem pensar! Já que não têm forças, devido a pobre alimentação em carboidratos...
     É óbvio que as bonecas que representam a moda jamais devem deixar de existir, nem tão pouco deixarem de ser belas. O problema está no exagero apelativo que elas conferem ao mundo infantil, provocando, indubitavelmente, uma apreciação abstrata da realidade. Essa interferência introduz uma sexualidade precoce, além de levar ao errôneo conceito de que sem os artifícios do “vestir-se” bem e sem os atributos físicos da boneca, não há como ser amada, quiçá feliz. Moda, beleza, juventude e sexo: eis a forma básica de acender e propagar a fogueira das vaidades, desencadeando um tórrido e fútil estilo de viver. Verdadeiras ou não, as candidatas a bonecas que se cuidem, porque a vida não é brincadeira, e costuma trocar de foco como quem troca de boneca.


sábado, 17 de março de 2012

Estresse tecnológico X Nadismo


De acordo com alguns especialistas estamos a um passo de sucumbir pelo estresse causado pelo excesso de “informação”, ou seja, esta onda gigantesca que nos joga à margem de uma conexão ativa e constante através de jornais, revistas, telefones, internet, televisão etc, está a ponto de nos transformar em humanoides ou “zumbis”, pessoas que pouco dormem, descansam ou até mesmo que mal conseguem tempo para um convívio amiúde com a família e amigos “reais”.
A paranoia é tão gritante, que mesmo antes de procurar um local para um repouso merecido, alguns indivíduos optam por lugares onde haja sinal de telefonia celular, internet, TV a cabo etc. Alguém arriscaria dizer que tudo isso não provoca efeitos colaterais? Pois eu aposto que ao menos a minha geração está sofrendo com toda essa carga excessiva, que atiraram sobre ela, nos últimos anos. Na verdade não temos o que fazer com tanta informação, e assim que alguém nos comunica algo novo, da qual não tivemos tempo de nos inteirar, a sensação que permanece é que, de alguma forma, perdemos o “trem”, isto é, há uma obrigação implícita de que devemos saber tudo, o tempo todo, sobre o que acontece em nossa cidade, estado, país e no mundo. Que loucura! Estamos virando servos do excesso de informação, mesmo que essa não seja relevante, muitas vezes, à vida que levamos. Então para não passarmos por ignorantes abraçamos tudo, sem prestar atenção a nada. Tudo é efêmero, o tempo é demasiadamente curto para que haja em nosso cérebro o processo efetivo de tanto conhecimento, com isso, aos poucos, toda essa ansiedade pelo “saber” vai se transformando em frustração e incapacidade. Então, aqui vale inserir uma pequena e particular história: a minha. Assim que entrei para a escola, em meados dos anos 70 – não vale tentar calcular a minha idade – à época, era comum que muitas crianças não tivessem televisor em casa, eu era uma delas. O fato se tornava potencialmente frustrante quando eu ouvia a professora comentar com os outros alunos sobre o que havia ocorrido no capítulo da novela, transmitido na noite anterior. Sentia-me um peixe fora d’água, alguém que não pertencia àquele mundo. Talvez essa seja a mesma sensação que muitas pessoas têm, atualmente, ao serem questionadas sobre determinadas tecnologias: ipod, iphone, ipad, internet, e-mail, skype, e-book... Tudo isso, isoladamente, tem o seu valor, porém quando se torna uma obsessão à obtenção de toda essa “parafernália” tecnológica, acontece uma implosão singular no modo como as pessoas optam pela forma de se comunicarem, já que escolhem viver muito mais de maneira artificial/virtual do que de modo legítimo. Isso a meu ver é bastante perigoso, pois está cada vez mais difícil o enfrentamento dos problemas reais, que agora passaram a ser divulgados e discutidos em sites de relacionamentos, que muitas vezes parecem tatames, usados para disputas pessoais e onde o veredito é ditado pelo curtir, comentar e compartilhar... Alguém já percebeu os recadinhos exibicionistas, irônicos, maliciosos, indiretos, provocadores e até mesmo ameaçadores? Esse exagero, sem dúvida alguma, está causando muitas discórdias e aborrecimentos, além de casos de depressão e estresse.
 Portanto, esse modo tecnológico de viver cada vez mais acirra uma competição predatória, cuja intenção é revelar que papel cada um representa dentro desse “admirável mundo novo”, onde a superexposição da imagem e o modo de pensar ficam registrados diariamente por quase todos a todo instante, em suas páginas virtuais. Daí surge as desavenças, as críticas, as maledicências... Então, diante desse diário virtual, aberto a todos, amigos e inimigos trocam elogios ou tripudiam em cima daquilo que observam. E assim a coisa vai ficando enfadonha. E essa disponibilidade e o fácil acesso a todas essas informações em tão pouco tempo, costumam causar alegrias e decepções - não necessariamente na mesma ordem. Partindo dessa premissa podemos afirmar que nos transformamos em “marqueteiros” pessoais, porém essa autopromoção da imagem nem sempre surte o efeito desejado, e, assim, ser adicionado ou excluído passa a ser condicionante para uma troca de informação que em nada acrescentará em nossas vidas. É óbvio que há o lado bom dessa tecnologia, que permite ao indivíduo dar aplicabilidade à informação e buscar aprimoramento à sua capacidade de aprendizagem na educação, na medicina, na comunicação e tantos outros campos de atuação que muito progrediram com o advento tecnológico, além de propiciar uma interação objetiva rápida e eficaz com quem de fato interessa. Outra questão pertinente a essa “Era da Informação” é proporcionar ao sujeito uma escolha democrática do que ele considera mais conveniente às suas expectativas.
Contudo, diante desse cenário tecnológico, que como um tsunami arrasta tudo pela frente, não há como separar o joio do trigo, ou seja, é preciso que haja cautela, pois uma frase ou uma imagem “distorcida” intencionalmente ou não, faz com que uma “informação” seja interpretada de várias maneiras, e a responsabilidade e a repercussão, necessariamente, poderá passar por níveis diferentes de julgamento. Assim sendo, torna-se relevante lembrar que atrás de toda essa tecnologia da informação existem corações pulsantes. Assim a mutação do homem à condição de humanoide - junção do homem com o debiloide - será uma opção particular, lembre-se do livre arbítrio.
 Dessa forma use esse aparato tecnológico moderadamente com criatividade e maturidade. Aqui, vale lembrar que cansadas dessa “conexão forçada” diariamente, muitas pessoas estão optando pelo “nadismo”, uma filosofia de vida que prega que por alguns momentos do dia, da semana, do mês e até mesmo do ano, o sujeito deve efetivamente se desconectar de tudo – tudo mesmo – e procurar uma interação com o nada, ou seja, simplesmente aproveitar a vida e o planeta, no que ele tem de mais bonito para oferecer: sua exuberante natureza. Isso não é simplesmente maravilhoso! E não vale levar a máquina fotográfica para depois postar as paisagens, poses... na internet, isso não é nadismo... é exibicionismo.
BOM NADISMO PRA VOCÊ!