sábado, 17 de março de 2012

Estresse tecnológico X Nadismo


De acordo com alguns especialistas estamos a um passo de sucumbir pelo estresse causado pelo excesso de “informação”, ou seja, esta onda gigantesca que nos joga à margem de uma conexão ativa e constante através de jornais, revistas, telefones, internet, televisão etc, está a ponto de nos transformar em humanoides ou “zumbis”, pessoas que pouco dormem, descansam ou até mesmo que mal conseguem tempo para um convívio amiúde com a família e amigos “reais”.
A paranoia é tão gritante, que mesmo antes de procurar um local para um repouso merecido, alguns indivíduos optam por lugares onde haja sinal de telefonia celular, internet, TV a cabo etc. Alguém arriscaria dizer que tudo isso não provoca efeitos colaterais? Pois eu aposto que ao menos a minha geração está sofrendo com toda essa carga excessiva, que atiraram sobre ela, nos últimos anos. Na verdade não temos o que fazer com tanta informação, e assim que alguém nos comunica algo novo, da qual não tivemos tempo de nos inteirar, a sensação que permanece é que, de alguma forma, perdemos o “trem”, isto é, há uma obrigação implícita de que devemos saber tudo, o tempo todo, sobre o que acontece em nossa cidade, estado, país e no mundo. Que loucura! Estamos virando servos do excesso de informação, mesmo que essa não seja relevante, muitas vezes, à vida que levamos. Então para não passarmos por ignorantes abraçamos tudo, sem prestar atenção a nada. Tudo é efêmero, o tempo é demasiadamente curto para que haja em nosso cérebro o processo efetivo de tanto conhecimento, com isso, aos poucos, toda essa ansiedade pelo “saber” vai se transformando em frustração e incapacidade. Então, aqui vale inserir uma pequena e particular história: a minha. Assim que entrei para a escola, em meados dos anos 70 – não vale tentar calcular a minha idade – à época, era comum que muitas crianças não tivessem televisor em casa, eu era uma delas. O fato se tornava potencialmente frustrante quando eu ouvia a professora comentar com os outros alunos sobre o que havia ocorrido no capítulo da novela, transmitido na noite anterior. Sentia-me um peixe fora d’água, alguém que não pertencia àquele mundo. Talvez essa seja a mesma sensação que muitas pessoas têm, atualmente, ao serem questionadas sobre determinadas tecnologias: ipod, iphone, ipad, internet, e-mail, skype, e-book... Tudo isso, isoladamente, tem o seu valor, porém quando se torna uma obsessão à obtenção de toda essa “parafernália” tecnológica, acontece uma implosão singular no modo como as pessoas optam pela forma de se comunicarem, já que escolhem viver muito mais de maneira artificial/virtual do que de modo legítimo. Isso a meu ver é bastante perigoso, pois está cada vez mais difícil o enfrentamento dos problemas reais, que agora passaram a ser divulgados e discutidos em sites de relacionamentos, que muitas vezes parecem tatames, usados para disputas pessoais e onde o veredito é ditado pelo curtir, comentar e compartilhar... Alguém já percebeu os recadinhos exibicionistas, irônicos, maliciosos, indiretos, provocadores e até mesmo ameaçadores? Esse exagero, sem dúvida alguma, está causando muitas discórdias e aborrecimentos, além de casos de depressão e estresse.
 Portanto, esse modo tecnológico de viver cada vez mais acirra uma competição predatória, cuja intenção é revelar que papel cada um representa dentro desse “admirável mundo novo”, onde a superexposição da imagem e o modo de pensar ficam registrados diariamente por quase todos a todo instante, em suas páginas virtuais. Daí surge as desavenças, as críticas, as maledicências... Então, diante desse diário virtual, aberto a todos, amigos e inimigos trocam elogios ou tripudiam em cima daquilo que observam. E assim a coisa vai ficando enfadonha. E essa disponibilidade e o fácil acesso a todas essas informações em tão pouco tempo, costumam causar alegrias e decepções - não necessariamente na mesma ordem. Partindo dessa premissa podemos afirmar que nos transformamos em “marqueteiros” pessoais, porém essa autopromoção da imagem nem sempre surte o efeito desejado, e, assim, ser adicionado ou excluído passa a ser condicionante para uma troca de informação que em nada acrescentará em nossas vidas. É óbvio que há o lado bom dessa tecnologia, que permite ao indivíduo dar aplicabilidade à informação e buscar aprimoramento à sua capacidade de aprendizagem na educação, na medicina, na comunicação e tantos outros campos de atuação que muito progrediram com o advento tecnológico, além de propiciar uma interação objetiva rápida e eficaz com quem de fato interessa. Outra questão pertinente a essa “Era da Informação” é proporcionar ao sujeito uma escolha democrática do que ele considera mais conveniente às suas expectativas.
Contudo, diante desse cenário tecnológico, que como um tsunami arrasta tudo pela frente, não há como separar o joio do trigo, ou seja, é preciso que haja cautela, pois uma frase ou uma imagem “distorcida” intencionalmente ou não, faz com que uma “informação” seja interpretada de várias maneiras, e a responsabilidade e a repercussão, necessariamente, poderá passar por níveis diferentes de julgamento. Assim sendo, torna-se relevante lembrar que atrás de toda essa tecnologia da informação existem corações pulsantes. Assim a mutação do homem à condição de humanoide - junção do homem com o debiloide - será uma opção particular, lembre-se do livre arbítrio.
 Dessa forma use esse aparato tecnológico moderadamente com criatividade e maturidade. Aqui, vale lembrar que cansadas dessa “conexão forçada” diariamente, muitas pessoas estão optando pelo “nadismo”, uma filosofia de vida que prega que por alguns momentos do dia, da semana, do mês e até mesmo do ano, o sujeito deve efetivamente se desconectar de tudo – tudo mesmo – e procurar uma interação com o nada, ou seja, simplesmente aproveitar a vida e o planeta, no que ele tem de mais bonito para oferecer: sua exuberante natureza. Isso não é simplesmente maravilhoso! E não vale levar a máquina fotográfica para depois postar as paisagens, poses... na internet, isso não é nadismo... é exibicionismo.
BOM NADISMO PRA VOCÊ!


quinta-feira, 8 de março de 2012

Dia Internacional da MULHER

365 dias do ano,
            porque um dia só é pouco

Neste Dia Internacional da Mulher, faço aqui uma livre interpretação da evolução feminina através da história das nossas tias, mães e avós... Mulheres que passaram por fases difíceis e diferentes, ao longo dos tempos, mas que souberam “driblar” as adversidades com bravura.  O objetivo é proporcionar a todas as mulheres, através delas, uma singela homenagem e, sem compromisso, propiciar, também, por meio desta leitura, uma reflexão metafórica e analógica do que realmente mudou, nestes últimos tempos, na vida das mulheres, e o que ganhamos e perdemos ao longo de tantas fases.
  Ainda, há bem pouco tempo, éramos consideradas inferiores aos homens. Nossa sina, como mulher, estava no casamento e na maternidade; e, com a mais absoluta resignação; já que éramos submissas por educação.
  Já no século passado, seguindo uma tradição surgida na Europa, por volta do ano de 1800, famílias ricas passaram a promover um grandioso baile, cujo objetivo era apresentar às jovens à sociedade, aos seus possíveis pretendentes, e mostrar que elas estavam se tornando mulheres, portanto já estavam prontas para tornarem-se boas esposas e mães. O baile de debutantes das “débus”, - cuja origem da palavra francesa début significa estréia, início -, como se conhece, até hoje, tinha mesmo que, de maneira velada, mas nem tanto, o estratagema de arrumar candidatos a marido. E, assim, lindas jovens, apresentavam-se como verdadeiras princesas à procura de seus príncipes - ainda que mal soubessem elas que a maioria deles, ao final da história, transforma-se em sapos.
 Afinal de contas, naquela época, qual mulher desejaria outro destino que não fosse o casamento? O fundamento imposto pela sociedade era constituído na sustentação de que sozinha a mulher jamais seria respeitada, por isso recebia, de forma contínua e progressiva, um “treinamento” voltado único e exclusivo à conquista de um marido e à procriação.

Uma mulher bonita não é 
aquela de quem se elogiam
 as pernas ou os braços,
 mas aquela cuja inteira aparência
 é de tal beleza que não deixa
 possibilidades para admirar
 as partes isoladas. Sêneca
A igreja também estabelecera normas rígidas com relação ao casamento, dando-lhe o status de sagrado, ainda no século VIII. Ao ser considerado um sacramento, ficou instituído que o casamento seria perpétuo e que a sua dissolução seria impensável e/ou inaceitável. A impossibilidade de separação de uma união era tida como grande vantagem para a mulher, já que o casamento era sinônimo de “segurança” para ela, que teria sempre um homem ao seu lado para prover suas necessidades e as de sua família, vantagem que uma mulher solteira não possuiria. Então, para garantir que suas filhas não ficassem “encalhadas” – o que para as famílias era quase como uma maldição -, as mães passavam à sua prole, os ensinamentos de como ser uma boa esposa, quanto mais a jovem se aperfeiçoasse nas “artes domésticas” – bordar, passar, costurar, lavar... – mais chances ela teria de conseguir um bom partido, sem esquecer, obviamente, da importância de os pais tudo fazerem para garantirem a “inocência” de suas filhas. Virgindade era o principal “atributo” esperado e desejado pelo futuro marido. E, sendo assim, desde cedo, as meninas aprendiam a importância de se manterem imaculadas para aquele que viesse, no futuro, a desposá-las. As mães, ainda que “acanhadas”, por seus pudores, ensinavam suas filhas com sutileza, sobre a importância da castidade, pois não pretendiam despertar o interesse das donzelas pelo sexo, antes do dia de elas contraírem núpcias. E, assim enquanto “aprontavam o enxoval” a espera de um pretendente, que fosse do seu mesmo nível social, - alguns escolhidos pelos seus próprios pais – as mocinhas iniciavam-se, paulatinamente, no conceito abstrato de como ser uma boa esposa, mãe e dona de casa.
Os "utensílios" da mulher moderna
Entretanto, apesar dos “esforços”, muitas não conseguiam cumprir tal destino e levariam até a morte o estigma de ser uma “solteirona” - forma pejorativa de definir a mulher que não conseguira contrair matrimônio. Para evitar a “humilhação”, de não ter conseguido um marido ou de ter sido rejeitada por algum aspirante a marido, muitas mulheres, sob pressão da família e por vergonha, fugiam desse rótulo e passavam a procurar pelos “enjeitados”, homens sem muita estirpe. Tudo era válido para não sofrer com o estigma de ser uma solteirona; afinal, ela não conseguira cumprir com o seu destino: casar e constituir família. À procura por um “senhorio” - já que o marido era considerado dono legal e religioso de sua esposa, e nela poderia, a partir do matrimônio, aplicar-lhe os castigos que julgasse necessário -, era melhor do que se tornar dependente, financeiramente, de algum membro da família, irmão ou irmã, que, após a morte dos pais, provavelmente permitiria que ela morasse em sua casa em troca de “favores”, nos cuidados dos afazeres domésticos e das crianças. Assim, a solteirona passava a ser a “tiazona”, uma espécie de escrava, disfarçada de parente, que além de trabalhar de graça, tinha, ainda, que ser grata pela acolhida.
O sonho de consumo de muitas mulheres
Já vai longe esse tempo, ou será que não? É provável que ainda existam culturas e localidades, em diferentes pontos da Terra, onde sociedades machistas ainda tratem as solteironas com este sentimento pungente. Porém, uma coisa é certa, avançamos muito nestas últimas décadas. Nossa atuação, seja no campo profissional, familiar, afetivo, sexual e até mesmo político, deve-se muito a essas corajosas e magníficas mulheres -  solteironas, viúvas, separadas etc - que, sem fazer alarde, foram se libertando dos grilhões da subserviência e das regras impostas por uma sociedade hipócrita. E, de forma plácida, inseriram-se no mercado de trabalho, com a aprovação dos seus parentes, que preferiram vê-las trabalhando, para o seu próprio sustento, ao ter que sustentá-las para o resto da vida. Já que eram vistas como heranças malditas... E quem saiu ganhando com isso? O sexo feminino, que de frágil não tem absolutamente nada.  E, lá foram as tiazonas para o magistério, hospitais, fábricas, etc. A partir de então, cientes dos seus valores, nunca mais se deixaram rotular... Uma fase havia se encerrado e uma nova iniciara-se em suas vidas... E, logo em seguida, veio outra: elas descobriram-se independentes financeiramente, e foram morar sozinhas, sem a “escravidão e a exploração” dos parentes. O casamento não precisava mais ser algo “arranjado”, pois elas descobriram, também, que podiam amar sem prévias condições. E uma união estável, passou a ser simplesmente uma questão optativa do casal, sem a obrigatoriedade nem a pompa circunstancial que uma cerimônia matrimonial exige. As “casadas”, que a tudo assistiam, impassíveis, já não pareciam tão confiantes em suas escolhas – dona de casa, mãe, esposa... 
E acredito, sinceramente, que a luta dessas mulheres foi o que motivou muitas outras a desistirem de uniões conjugais infelizes. Então, para torná-las mais livres, eis que surgiu a pílula anticoncepcional, era outra fase: a liberdade de escolher entre querer ou não ser mãe! Elas, que agora trabalhavam e estudavam, mesmo sob os olhares de desconfiança, e uma inveja quase patológica, de uma sociedade machista, passaram a falar em “produção independente”. Era o fim dos tempos, logicamente para os conservadores, porque para essas mulheres era o início de uma nova fase, a busca pela maternidade sem a necessidade da presença da figura paterna no cotidiano de suas vidas ou na vida de seus filhos. Confiante ela agora tem a consciência de sua competência, caráter, fibra, inteligência, habilidade e um amor incomensurável que precisava ser canalizado ao filho desejado e planejado.
 De lá pra cá, foram muitas as fases ocorridas na vida da mulher. Nesta etapa da vida, em pleno século XXI, as mulheres passaram a assumir a sua orientação sexual, despojando-se de preconceito. Hoje, nesses novos tempos, relatam seus romances do mesmo jeito que falam de suas viagens e roupas, tudo com muita dignidade. "Eu sou aquela mulher que fez a escalada da montanha da vida, removendo pedras e plantando flores". Cora Coralina.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

DEUS... ÁRVORE DA VIDA

*A fé não cresce na casa da certeza...  



Nesse feriadão de carnaval aproveitei para colocar a leitura em dia, havia algum tempo que eu desejava ler tranquilamente, sem ser interrompida pelos compromissos. E assim, consegui ler dois livros, um deles, por recomendação de um amigo, é o famoso best-seller A Cabana, do escritor canadense William P. Young. No início não sabia bem o que esperar da narrativa de Young, temi que fosse mais um besteirol apelativo. Mas logo, como há muito tempo não acontecia peguei-me “devorando” páginas e páginas da distinta obra, dessa forma, em pouco menos de oito horas, terminei a leitura. Vou tentar aqui não estragar a expectativa de quem tiver a intenção de ler esse famoso best-seller.
A verdade é que depois que finalizei a leitura não consegui esquecer sua narrativa, nem tão pouco as diversas passagens onde o protagonista - um pai atormentado pelo assassinato de sua filha caçula - encontra-se com a “Trindade”, na mesma cabana onde sua filha fora morta, por um serial killer, alguns anos antes.
Numa positiva tentativa de desfazer essa imagem “comum” que temos do Pai zangado e impiedoso e do seu Filho, um Homem bonzinho e obediente, o escritor nos leva a um universo possível e perfeito, onde o amor harmonioso e respeitoso se sobrepõe a tudo. 
Os diálogos me surpreenderam muito, pelo simples motivo de que naquele lugar – a cabana - havia um Deus muito parecido com o meu, isto é, Àquele a quem diariamente dedico minhas orações, um Ser benevolente, amigo e, principalmente, “transcendental”, capaz de amar ilimitadamente sem preconceitos ou pré-julgamentos. No entanto, foi difícil conter as lágrimas, nos diversos trechos onde o personagem central luta contras os seus paradigmas numa batalha espiritual com “Papai”. Confesso que por diversas vezes me emocionei, e como mãe não foi difícil me colocar no lugar daquele ser humano, cuja dor no peito lhe dilacerava a alma, deixando um vazio e “A Grande Tristeza” pela partida precoce de sua filhinha de seis anos de idade.

 Entre as várias questões impactantes, o personagem central do livro, em dado momento, é levado, através de um diálogo entre ele e Sophia, a personificação da sabedoria de Deus, a refletir sobre a natureza humana e a essência do perdão, quando pergunta a ela “Se Deus nos ama e cuida de nós, então, por que Ele permite que tragédias tão horríveis aconteçam na vida de gente do bem?”
A partir de então passei a me perguntar como seria a minha reação diante dEle, quais seriam as perguntas que eu lhe faria. Algumas delas o autor, através do Mackenzie, perguntou por mim. Porém, nem todas as respostas me satisfizeram, plenamente, mas se aproximaram muito da resposta que eu imagino que Deus daria. Outras perguntas estão gritando na alma, assim fico aguardando a minha hora de ter uma audiência particular com Ele, para poder Lhe perguntar por que a minha irmãzinha partiu tão cedo, de forma tão abrupta, com quatro anos de idade, quando eu, então, na época, contava com os meus oito anos e, além da minha própria dor infantil, precisei testemunhar e compartilhar da consternação dos meus pais. Por que ela e não eu? Para quem fica permanece o benefício da culpa.
Voltando ao livro, apesar da excelente leitura, algumas coisas, o que já era de se esperar, já que essa é uma obra de “ficção”, ficaram vagas, como na parte que é dito que “As responsabilidades e as expectativas são a base para a culpa, a vergonha e o julgamento. Eles fornecem a estrutura que faz do comportamento a base para a identidade de alguém e o valor de alguém”. Aqui, eu sou obrigada a discordar com a primeira intenção, já que acredito que devemos, sim, assumir perante qualquer relacionamento nossa responsabilidade, no entanto, concordo que gerar expectativas só serve para facilitar uma futura e óbvia decepção, já que é muito difícil atender as expectativas de alguém ou fazer com que as nossas próprias sejam acolhidas. Entretanto outros trechos como: “Jamais desconsidere a maravilha de suas lágrimas. Elas podem ser águas curativas e uma fonte de alegria. Algumas vezes são melhores palavras que o coração pode falar” e “As mentiras são um dos lugares mais fáceis para onde os sobreviventes correm”, me impactaram bastante.
O grande desafio do escritor foi a condução hábil do personagem principal até o ponto de fazê-lo perdoar aquele que produzira tamanha chaga em seu coração, fazendo-o entender no decorrer da narrativa que "O perdão existe em primeiro lugar para aquele que perdoa, para libertá-lo de algo que vai destruí-lo, que vai acabar com sua alegria e capacidade de amar integral e abertamente..." e que Só porque você acredita firmemente numa coisa não significa que ela seja verdadeira”.
Contudo, você deve lembrar que no início desse texto eu afirmei que havia lido dois livros, este segundo intitula-se de O Quarto Reino, escrito pelo escritor espanhol, Francesc Miralles, cuja história leva uma possível busca ao Graal, assim como outro que eu comecei a ler no ano passado – sem ter concluído ainda - sob o título de O Graal da Serpente, dos escritores Philip Gardiner e Gary Osborn, ambos “americanos”.
Portanto, ao fazer uma “conexão livre” entre os três livros, cheguei à conclusão de que o Homem, à medida que perde os seus valores e a sua fé, está cada vez mais à procura de Deus, mesmo que faça isso inconscientemente. Mas onde afinal de contas Ele está? Tenho pensado muito nesse assunto, ultimamente. Assim encontrei o paradeiro do “meu” Graal, particular, que para mim significa a Árvore da Vida. E nela Deus reside. Não numa árvore específica, mas dentro de todas elas. Já que Ele está em todo lugar, nada mais normal que Ele seja o elemento fundamental à vida: a Árvore. Ela serve de abrigo, fornece sombra, remédios, pode matar a fome dos mais variados animais, aquece, segura a terra, fornece a chuva... são tantas as suas aplicações e benesses que fica difícil exemplificar a todas, e através de sua madeira, está em todos os lugares, assim como Deus, que tem como filho preferido o nosso irmão carpinteiro, cujo ofício era trabalhar a madeira, ou trabalhar com “Papai”. Coincidência?
 Em resumo, dentro desse contexto, intrinsecamente creio que a natureza é o Graal tão cobiçado. Essa mesma que nós, seus filhos, de forma relapsa e abusiva estamos destruindo, sem saber que com isso estamos liquidando as gerações futuras, as dos nossos filhos. 
Eis o meu Deus, presente em cada árvore da vida. Talvez por isso, ainda quando criança, eu adorava regar as plantas do nosso jardim e quintal, enquanto conversava com elas mentalmente, imaginando que elas me agradeciam pela gentileza.
 Criança é sábia por natureza.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

O gato, o garoto e a vizinha


Este bem que poderia ser o título de algum livro, porém está é uma história verídica, ocorrida hoje, ao meio dia, no bairro onde moro, sob um sol escaldante, onde a temperatura registrava aproximadamente 40°C à sombra. 
Tudo começou quando alguns vizinhos perceberam em cima de um chalé, cujos donos estavam ausentes, a presença de um lindo gato amarelo, cujo miado evidenciava o desespero do bichano que conseguira subir a uns 20 metros de altura, porém não conseguiu descer devido a presença, no pátio da residência, de alguns cachorros, um deles da raça rottweiler. No pescoço o belo felino trazia uma coleira com alguns sininhos pendurados - se a intenção de quem colocara aquele adorno era encontrá-lo facilmente, o intento deve ser repensado.

Aqui começa essa história... O primeiro passo dos moradores, comovidos com a precária situação do animal, foi acionar os bombeiros que afirmaram que nada poderiam fazer naquele momento, alegando que estavam sem os equipamentos apropriados para efetuar o resgate. O principal jornal da cidade também foi avisado, porém a pessoa que atendeu a ligação afirmou que passaria o caso ao chefe de reportagem... (?) Acreditava-se que, com a presença da imprensa no local, aumentariam as chances de os órgãos competentes - bombeiros, secretaria do meio ambiente, guarda civil... – se interessarem pelo fato e assim consequentemente tomarem alguma providência, no sentido de libertar o pobre bicho daquela situação agonizante, afinal de contas ele havia passado a noite anterior “miando por socorro”. Mas diante do descaso generalizado, já que um gato sofrendo em cima de um telhado abrasador, sob o escaldante sol de verão, parece não ter nenhuma relevância àqueles que deveriam garantir um mínimo de dignidade e solidariedade ao animal, a mobilização – "operação salva gato" - precisou partir dos próprios moradores das redondezas. Pessoas valorosas dignas de receberem todas as honrarias, cujo merecimento está justamente em atitudes altruístas em prol da vida, seja ela humana ou não, já que todos somos filhos dessa Terra e criaturas de Deus.
Entretanto, para quem assistia aquela lamentável cena, sem nada, efetivamente, poder fazer, restava a angústia e a sensação de impotência, além da certeza de que muita gente não sabe amar ou ignora o real significado que tem essa palavra, pois quem não consegue se comover com tal situação certamente não têm bons sentimentos. Enquanto isso o pobre felino se lambia compulsivamente, tentando com sua saliva fazer um isolamento térmico, mantendo assim o corpo e a pele resfriados, com o intuito de impedir o aumento da temperatura corpórea e evitar queimaduras, conforme explicou, mais tarde, a médica veterinária Carine Rosa Silva, da Colônia Animal.
No entanto, foi a atitude desesperada e corajosa e a indignação verdadeira de duas mulheres, Vanessa dos Santos Fagundes, e da mãe dela, conhecida pelo codinome de Maninha - ambas minhas vizinhas -, aliada a bravura de um garoto de 18 anos, Douglas Silva da Silva, a quem Vanessa pediu socorro, que mudaram o desfecho trágico dessa história, já que o pobre bichano começava a dar sinais de esgotamento físico.
Persuadido a colaborar com aquela nobre causa, o valente rapaz, mesmo ciente do perigo a que se submeteria, arriscou-se a subir no inclinado telhado quente, coberto por telhas esmaltadas, onde qualquer deslize o levaria ao chão, com cachorros enfurecidos a espera tanto dele quanto do já combalido gato. A quem assistia a cena só restava rezar, pedindo a Deus que protegesse ambos, o rapaz e o gato. Todo cuidado naquele momento era pouco, uma pisada em falso e o desfecho poderia ser fatal. O gato, ao perceber a presença do aguerrido jovem, espantosamente, se deixou capturar, facilitando dessa forma o seu resgate. Não me lembro de uma ocasião onde a culpa e o medo, pelo jovem, estivessem tão presentes, já que havia a possibilidade de tudo dar errado. Aquela atitude insensata, simplesmente seguida pelo coração, era totalmente irracional, mas quem consegue seguir a razão quando a alma está tão aflita, e observar o pobre bicho cair de cansaço na boca daquelas “feras” estava dilacerando o nosso peito, além de estar fora de questão. Lutar pela vida dele era consenso entre aqueles que a tudo assistiam, para falar a verdade pouquíssimas pessoas, talvez cinco, já que pelo horário muitos estavam em suas casas, almoçando. O que não justifica a falta de empenho de outros. Mas cada um com a sua consciência.

Douglas Silva da Silva: jovem herói
No final tudo deu certo, ou quase, até aparecer a dona do bichano se eximindo de qualquer responsabilidade sobre o incidente. A ela restou a alegria de sair com o bicho no colo, depois que nos mobilizamos para salvá-lo. E agora o caro leitor irá se perguntar, mas por que eu estou relatando esse fato? Eu explico, a minha intenção aqui é homenagear essas pessoas que de fato se uniram com o objetivo de fazer o bem, sem com isso esperar nada em troca. Pessoas que a meu ver são verdadeiras heroínas, diferentemente daquelas que são elevadas a mesma condição sem que jamais tenham feito por merecer tal crédito: só porque fizeram um gol, participaram de algum reality show idiota, ou qualquer outra coisa equivalente e inútil . Contudo, é provável que para a maioria dos seres humanos o salvamento de um gato não signifique absolutamente nada, no entanto “Chegará o tempo em que o homem conhecerá o íntimo de um animal e nesse dia todo crime contra um animal será um crime contra a humanidade,”  Leonardo da Vinci.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Traição e vingança






S
empre polêmicos e atuais estes dois assuntos, traição e vingança,  trazem à tona uma condição enigmática e complexa do caráter humano, cuja característica é sempre ambígua. Recentemente numa reunião entre amigas, para comemorar o novo “lar doce lar” de uma delas, formou-se um debate espontâneo e genérico sobre esse tema. A discussão abriu portas à probabilidade de algumas de nós sofrermos, em determinado momento da vida, uma grande decepção. Contudo, aqui neste espaço, vou me ater neste primeiro momento, somente a decepção amorosa, mais especificamente a traição, apontada como uma das maiores causas de separação entre os casais. E, segundo definição do jornalista egípcio Leon Eliachar, “O adultério é o que liga três pessoas, sem que uma delas saiba”. E quem já foi enganado sabe que a infidelidade deixa sequelas que se perpetuarão na alma, cujo desencanto pode levar a pessoa traída ao abandono de si mesma e a falta de fé na humanidade, afinal de contas é extremamente doloroso descobrir que sua confiança foi depositada na pessoa errada, ou ainda pior, naquela que você julgava ser a melhor do mundo, e que juntos vocês compartilhavam de recíproca cumplicidade. Então diante dos “novos” e tristes fatos, a desconfiança, a partir daí, passa a ser generalizada, e muitas vezes permeará a vida de quem sofreu tal desilusão. E, aqui começa a controvérsia: dar o troco ou sofrer a decepção da infidelidade em silêncio? A razão diz uma coisa, a mágoa grita outra. E nesse impasse as opiniões alheias geralmente ajudam a decidir a disputa. Se a opção escolhida for a represália, o  traidor sofrerá as consequências da sua falta de caráter, mas essa nem sempre é a escolha acertada, já que costuma trazer mais sofrimento que alento.

  No entanto é preciso entender o motivo que leva o ser humano, em pleno século XXI, a mentir sobre sua vida amorosa. Na realidade ninguém é de ninguém e a velha máxima de que seja eterno enquanto dure é a mais pura verdade. Ainda mais nos tempos da pílula azul, onde o homem “garante um comparecimento seguro” fora de casa, ainda que sob o efeito do milagroso remedinho. Mas não sejamos machistas, numa época em que as mulheres conseguem concluir o ensino superior e se especializam cada vez mais para galgar melhores posições dentro do mercado de trabalho, aumentam as chances de elas também encontrarem alguém interessante, ainda mais quando, dentro de casa, o relacionamento afetivo já não oferece a mesma empolgação (tesão). E, na verdade, o casamento muitas vezes só se sustenta pelos filhos -  o suporte para que ele não desande de vez. E isso ocorre independentemente do modelo social ou econômico, entretanto, no segundo caso quando os problemas financeiros são habituais a relação se desgasta mais rapidamente.
O tocante desse tema está justamente na imagem fantasiosa que temos da pessoa traída, sempre ingênua e frágil – uma palerma, que não foi capaz de ver o que todos ao seu redor já tinham percebido. Aí é que está o cerne da questão: por que os sinais não são detectados? Será que há conveniência nesse padrão comportamental de sujeito enganado? Eu arriscaria dizer que sim. É muito difícil, principalmente para a mulher, sempre tão cheia de “sonhos e castelos encantados” admitir que o príncipe escolhido era somente um sapo, e mesmo que ela tenha percebido o seu coaxar, relutará durante algum tempo contra as evidências. Mas quando ocorre o contrário, quando a mulher se identifica amorosamente com outra pessoa, antes de consumar a traição sexual, ocorre a fuga no plano emocional, isto é, a traição máxima passa a ser o desânimo de estar com alguém a quem ela não mais deseja – diferentemente do seu novo amor. E aqui sucede algo curioso na traição feminina, mesmo que seja baseada em fantasias, a meu ver tem uma sutil intenção de por fim ao relacionamento falido. E, dentro desse contexto, essa talvez seja uma forma velada de as mulheres se vingarem dos seus companheiros relapsos perante a relação conjugal, já que o conceito de traição, nesse caso, é muito subjetivo e particular. A mulher, mesmo ferida, ainda tenta entender o que acarretou tão trágico fim; já o homem interpreta a traição feminina de forma machista, atribuindo a ela um desvio de caráter, se eximindo de qualquer responsabilidade pessoal.
Contudo, vale lembrar que a traição seja masculina ou feminina dilacera a alma e a joga na lama – observem a facilidade em transformar a palavra alma em lama. E é isso o que se faz com os sentimentos daquele que deveria ser respeitado, que ferido e enlodado torna-se irracional. Motivo este que faz eclodir nele um forte desejo de vingança , cuja intenção é o de provocar no outro a mesma dor, ainda que isso venha a expor a ferida não cicatrizada. Entretanto, não se pode esquecer da citação do escritor russo Vassili Vassilievitch Rozanov: “Das grandes traições iniciam-se as grandes renovações”. Portanto não gaste suas energias com quem não foi digno do seu amor ou mesmo da sua piedade, pense que certos acontecimentos, mesmo as decepções afetivas, podem impulsioná-lo a uma nova jornada. E, a princípio, a luz de um recomeço pode até ofuscar sua visão, mas com o passar do tempo a escuridão do passado já não fará o menor sentido.  ASSIM SENDO SEJA FELIZ!

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Boicota Baixaria Brasil!



A
 polêmica está lançada: houve estupro na “casa” ou não, e o país repentinamente não fala de outra coisa: o “escarcéu” ocorrido na 12ª edição do Big Brother Brasil.Quanta perda de tempo! Por que as pessoas não se mobilizam de fato com assuntos efetivamente relevantes: corrupção, segurança, saneamento, planejamento urbano, educação, saúde, pedofilia, abuso de poder, nepotismo, o avanço das drogas, a violência etc? Há tanta coisa a ser tratada com urgência que, sinceramente, não consigo entender o alarde feito em cima de um programa tão decadente como o Big Brother. Os podres "subliminares" como, por exemplo: as intrigas, o sexo pelo sexo, a vadiagem, os conchavos, tudo isso tem como exclusiva finalidade: o enriquecimento fácil de um único participante e o envolvimento absoluto daqueles que assistem ao reality show, assim como elevar a conta bancária dos patrocinadores e da própria emissora.
No total, foram investidos cerca de R$ 103 milhões em cotas de patrocínio nacional do programa. Já imaginaram essa quantia sendo investida em projetos sociais, algo que viesse a contribuir para um Estado mais digno e justo. Quantas escolas não ficariam mais preparadas se recebessem um centésimo desse valor?  Enquanto isso, esportistas, artistas, escritores e tantos outros profissionais comprometidos com projetos de transformação e inclusão social não conseguem auxílio financeiro para levar adiante suas esplêndidas ideias. Então eu me pergunto, como anunciantes que pretendem dar a suas marcas, os tais certificados de qualidade, podem investir em tanta vulgaridade? Onde está a tal responsabilidade social e até mesmo civil dessas empresas que deveriam ser a favor da cidadania e, sendo assim, jamais financiar tamanha baixaria? E como a síntese do programa é de que o espetáculo tem que continuar - tantas vezes lembrado pelo seu apresentador, Pedro Bial - supõe-se que a lógica da emissora e de quem patrocina o pobre e decadente reality show seja a seguinte: doa a quem doer o “negócio é rentável” por isso vamos continuar faturando. A estratégia é uma só: quanto mais "barraco" melhor. No entanto, justiça seja feita, por trás dos bastidores, onde o lucro é certo, cumprindo o seu papel de “vaso sanitário”, está o telespectador, o principal financiador desse medíocre programa.
Assim sendo, sob a tutela alienada, a grande massa, se deixa levar desgraçadamente por essa leva de informações e relações fragmentadas, onde o individualismo e a superficialidade ganha fôlego e ares de modernidade. As evidências sinalizam que o famigerado “picadeiro” fornece munição completa a rupturas ideológicas e nada acrescenta a lacuna cultural existente na sociedade. Logo, se conclui que a maior perversão que se monta no reality show é a falta de compromisso com aspectos fundamentais que levem a uma consciência mais cidadã. E, se essas controvérsias, entretanto, forem propícias à elevação da audiência e consequentemente do faturamento, a Globo continuará a “reciclagem” desse lixo anual chamado Big Brother.
 Então, BOICOTA BAIXARIA BRASIL!



domingo, 8 de janeiro de 2012

Natureza theriantropa




De
 acordo com a teoria da evolução humana, defendida por Darwin e a maioria dos cientistas modernos, temos a mesma ascendência, ou seja nossos avós são os mesmos: os macacos. Já outra teoria, essa bem mais antiga, segundo os Maias, diz que o homem foi criado pelos deuses a partir da pasta de milho. Talvez por isso sejamos uns “pamonhas” – às vezes não consigo evitar o trocadilho -, somente isso poderia explicar porque permanecemos tão passivos diante de tantas injustiças. Suposições à parte... Na verdade não somos tão evoluídos como pensamos ser. De onde viemos? Talvez sejamos provenientes da junção de vários animais: os terrestres, os aquáticos e os voadores, já que é comum, em momentos de cólera, identificarmos alguns destes animais inseridos no âmago do nosso oponente. Burro! Anta! Veado! Porco! Macaco!... Tudo bem que tenhamos semelhanças com os animais, que não raras vezes se mostram muito superiores a nós, o problema é que só descobrimos nossas conexões com eles na hora da raiva. Como assim!? O que os bichos e os seus instintos primitivos têm a ver com o que acreditam alguns seres os nossos "defeitos", tão intrínsecos e essencialmente humanos? “Chegará o tempo em que o homem conhecerá o íntimo de um animal e nesse dia todo crime contra um animal será um crime contra a humanidade,”  Leonardo da Vinci.
Contudo, depois que o gatilho foi disparado, após assistir a tantos "insultos", proferidos de maneira irresponsável pelos torcedores gremistas, algo que acontece rotineiramente, em outros estádios, mundo à fora, não consegui me lembrar de uma analogia positiva feita pelo homem a qualquer animal. É sempre algo depreciativo, uma expiação de sua própria responsabilidade. Assim o covarde é rato; o estúpido um cavalo; o otário um pato; a gorda uma baleia; o alto uma girafa; a namoradeira uma galinha; o gay é veado; o gordo é elefante; o alto é girafa; o cínico é cobra; o desentendido é burro; o narigudo é tucano; o relaxado é porco; o peralta é macaco; o ignorante uma anta; o ladrão é gato; a sogra é cascavel; o traidor: cachorro – eis aqui uma grande injustiça, já que o cão é muito amigo e leal; o abutre um invejoso; o papagaio o tagarela; o jacaré é fofoqueiro... Pela extensão da lista de injustiças a esses bichos paro por aqui... O mesmo animal, ainda, pode ter dupla função, caso do cavalo que ora pode ser citado pelo seu porte e pelos seus atributos físicos – garanhão -; e outra pela sua tendência em dar coices. Nem mesmo os animais mitológicos ou mesmo os extintos escapam de serem catalogados dentro dessa peculiar fauna, já que o lendário dragão é mencionado para identificar mulheres feias e o mamute os obesos... Todas essas denominações são extremamente pejorativas e denotam toda ignorância e arrogância das pessoas. Todavia, essa inserção “brutal” e pluralista os levam ao tempo em que viviam em árvores, quando defecavam nas próprias mãos com a intenção de afugentar e ao mesmo tempo ofender o inimigo, ou ainda os conduzem aos tempos das cavernas onde o seu oponente era combatido com paus e pedras. Uga! Uga! Em sua solitária racionalidade, porém, o ser humano já se uniu a um peixe e virou sereia; a um lobo: lobisomem; com uma mula, e esse foi seu maior erro, pois virou mula-sem-cabeça; com um touro: minotauro; com um cavalo: centauro; com um boto (golfinho de água doce): cafajeste (o perfil deste “ser lendário” não deixa dúvidas); com um morcego: vampiro e finalmente em sua desconfiada e delirante fantasia pensou ser um touro e virou corno...
Theriantropia e Universos Paralelos: Entretanto, essa tendência de certos indivíduos de passar por mutações físicas - humana/animal - seria a sua condição Theriantropa, isto é, uma ligação à sua essência selvagem, intrínseca e inexplicável. Há quem afirme que São Cristóvão era um desses seres, e que somente após ter tido uma visualização divina/celestial teria se convertido à espécie humana, abandonando assim sua fera interior, e que sabendo dessa condição a igreja guarda este segredo a sete chaves.
Em suma, é bem provável que as lendas tenham contribuído efetivamente à fomentação dessa fértil imaginação humana. Ou seria essa uma lembrança remota de criaturas existentes em universos paralelos - dimensional ou até tetradimensional -, como afirma existir o célebre físico inglês, Stephen Hawkings, em seu livro intitulado “O Universo Numa Casca de Noz”.  Lembre-se que “Há mais mistérios entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia”, William Shakespeare. Seja como for, em virtude desse nosso comportamento tão humano ou desumano, como queiram alguns, tenho a mais profunda certeza de que, como espécie, ainda não atingimos a plenitude capaz de nos fazer sair efetivamente das cavernas, quiçá das árvores. Ainda somos selvagens e ignorantes, basta observarmos a maneira como tratamos o nosso planeta e os nossos semelhantes, racionais ou não. Então, de nada adianta sonharmos com animais alados, devido a nossa estreita visão, estamos longe de sermos alçados à condição de anjos.





sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

FELIZ 2012 !

A
inda que sejam convenções marcadas pelo calendário humano, em função dos movimentos de rotação do planeta em torno do sol, o sentimento com a aproximação de um novo ano é de esperança e renovação. Mesmo que a “passagem” de ano seja rotineira, não há como fazer a travessia de um ano para outro sem que haja certa reflexão daquilo que deixamos para trás. Dizem que passado o terremoto de Lisboa (1755), o rei Dom José perguntou ao General Pedro D’Almeida, Marquês de Alorna, o que se havia de fazer. Ele respondeu ao rei: “Sepultar os mortos, cuidar dos vivos e fechar os portos”. Esta simples resposta sintetizou de forma franca e objetiva a única coisa que podia ser feita naquele momento. Assim devemos fazer diante dos nossos abalos pessoais: enfrentá-los com a mesma objetividade, isto é, mesmo que venhamos a sofrer, não há como lutar contra as falhas “geológicas” da vida. Mesmo que estejamos desestruturados pelos movimentos bruscos de nossas próprias bases devemos buscar serenidade para suportar tais consequências. A alternativa para quem deseja sobreviver às mudanças impostas pela própria existência é seguir adiante, sem olhar para trás, pois de nada adianta chorar sobre o leite derramado. É essa capacidade de nos reinventarmos que faz de nós verdadeiros super heróis. Pessoas valorosas que não precisam recorrer a drogas; que lutam para não cair em depressão; que não se deixam influenciar pela onda de pessimismo ligado ao mito de 2012; que não se deixam levar pelos modismos... Nós que aprendemos a cair e a dar a volta por cima, cheios de dignidade, e que não nos curvamos aos julgamentos alheios, merecemos um planeta povoado por verdadeiros seres humanos: fraternos, iguais aos trabalhadores voluntários que se dedicam a levar à sociedade maior qualidade vida; leais como os meus amigos verdadeiros; dignos como os meus pais, generosos como a minha filha, que ainda criança já sabia respeitar os animais e os mais velhos.
Seguindo essa linha de raciocínio, venho através dessa postagem desejar a vocês, visitantes virtuais do Brasil, Malásia, Rússia, Reino Unido, Alemanha, México, Guatemala, Japão, Austrália, Nova Zelândia, Indonésia, Estados Unidos, Holanda, Portugal e Nova Guiné, um ANO NOVO repleto de Paz, Sorte, e a Responsabilidade de Amar todos os Seres Vivos deste lindo planeta. A todos que assim como eu, sobreviveram às besteiras, às finanças, às alegrias, tristezas e decepções, mas que nem por isso deixaram de acreditar num recomeço, e mostraram que é possível driblar esse fluxo de situações inesperadas, inerentes à vida, muita LUZ E PAZ.  Embora os votos não sejam muito originais, pois como diz a letra da música do Legião Urbana, “Sei que às vezes uso palavras repetidas, mas quais são as palavras que nunca são ditas?”, ainda assim elas exprimem toda a minha sinceridade. E, mesmo que não nos conheçamos, recebo, através de suas visitações diárias, essa energia emanadora, que me dá o alento e a convicção de que estou no caminho certo.  Muito obrigada pelo apoio e pelos e-mails generosos. SEJAM MUITO FELIZES!

FELIZ ANO NOVO E PAZ NA TERRA AOS HOMENS DE BOA VONTADE!

*Meu agradecimento especial para Amanda Werlang(filha); aos meus pais, Alzair e Manoel; amigos: Rosane Gil, Rosinete Zefferino, Débora Gianoni, Nádia Oliveira, Mara Gallina,  Cláudia Orci, Custódia de Bróbio, Simone Flores e Luiza Carravetta. E aos ilustres desconhecidos que cruzaram o meu caminho e que me estenderam a mão. Vocês, que de um jeito ou de outro, nesse ano, me ouviram e me apoiaram, seja na vida pessoal ou na profissional... MUITO OBRIGADA!

QUE DEUS OS ABENÇOE SEMPRE!


quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

O fim do mundo entre o cético e o crente











No início dessa semana, ao transitar pela esquina democrática, ponto turístico da capital gaúcha, localizada entre a Rua da Praia e a Avenida Borges de Medeiros - ponto tradicional de passeatas e manifestações desde o século XIX - presenciei uma hilariante discussão entre um crente e um cético. Enquanto o primeiro defendia com veemência a necessidade urgente de conscientização dos seres humanos para uma mudança efetiva de comportamento antes do final do mundo, o outro gritava que tudo não passava de lorota. O bate boca só terminou com a intervenção da polícia militar.
O crente ao olhar para os curiosos transeuntes alardeava que a sua “arma” contra os ignorantes era a Bíblia, que ele erguia freneticamente para o alto, como se procurasse confirmação divina às suas palavras proféticas. Discussões à parte... É bom lembrar que o livro sagrado dos cristãos refere-se ao final dos tempos no Velho e no Novo Testamento - em ambos, há uma descrição da destruição do mundo que será causada pelo comportamento inadequado da humanidade. No primeiro, há a figura do profeta Daniel, que marca até hoje o imaginário ocidental com seus sonhos e visões sobre o final dos tempos. Ao lado dele, incluído no Novo Testamento, o Apocalipse de São João, capítulo 13, versículos 16, 17 e 18 diz que “A segunda Besta faz também com que todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e escravos, recebam uma marca na mão direita ou na fronte”. Teoria essa que serve de inspiração aos crentes que acreditam numa conspiração feita através dos códigos de barras, que carregam obrigatoriamente o número da Besta em todos os produtos que recebem o padrão UPC.
 Na volta para casa o assunto me acompanhou... Nem bem o ano chega ao seu final e os profetas do apocalipse se proliferam de forma assustadora, pensei. O tema cada vez mais recorrente, nos últimos tempos, tem mexido com o imaginário de muitas pessoas, que de alguma forma parecem ter  opinião formada sobre o que ocorrerá no final do ano que vem: transformação cósmica, inversão dos pólos magnéticos da Terra, ano do contato extraterrestre, a erupção do super vulcão americano, final dos tempos, o juízo final, começo da era de ouro... de aquário... E toda essa “histeria” se fundamenta na previsão catastrófica da cronologia do calendário Maia, que supostamente aponta para 21 de dezembro de 2012 como sendo o início do fim do mundo. Outras civilizações antigas também confirmam essa teoria ao indicarem essa mesma data como sendo a derradeira. Um dos mais famosos oráculos do mundo antigo, conhecida pelo nome de Sibila, viveu durante o império romano (século VI a.c) dentro de uma caverna vulcânica perto da cidade de Nápoles na Itália. Conforme uma antiga revelação apocalíptica feita por ela, diz que o mundo duraria nove ciclos de 800 anos cada um. Segundo a Sibila, a décima geração começaria aproximadamente nos anos 2000 d.c e que essa seria a última geração. O Livro das Mutações, o chinês I Ching, teria previsto com pertinência e precisão, a mesma previsão catastrófica para esse mesmo dia, mês e ano. Ainda, segundo a astrologia moderna, nessa data teremos o alinhamento completo de todos os planetas do sistema solar que, além de estarem alinhados entre si, estarão alinhados com o centro da via láctea, fato que ocorre a cada 26.000 anos. Para fomentar ainda mais essa possibilidade, livros, revistas e programas de tevês - Discovery e The History Channel-, estão explorando esse filão à exaustão, ainda que com muita competência, já que depois de algumas horas de exibição dos documentários dá vontade de armazenar água, comida, construir um abrigo subterrâneo blindado, e até mesmo se antecipar aos fatos catastróficos e cometer suicídio... Coisa de doido!
 Indiferentes ao tema, no entanto, estão os céticos, que já se acostumaram com as previsões apocalípticas que a própria humanidade tem traçado, ao longo dos tempos, para si mesma. Foi assim na virada do século, em 11/11/11, e tantas outras datas que nem vale à pena aqui citar. Porém, diante dessa possibilidade sinistra e assustadora, que está sendo desenhada para o próximo ano: o Caos - que na mitologia grega era o deus primordial, e representava a desordem inicial do mundo - fica a pergunta: por que esse tema exerce tanto fascínio e medo nos homens? Talvez seja pela culpa. Ciente de sua falta de responsabilidade com Gaya, a mãe Terra, ele deseja desaparecer para que o planeta possa voltar ao equilíbrio novamente. Será isso ou o ser humano está cansado de sua própria existência? De uma coisa estou certa, ele ainda teme a morte e o castigo do inferno eterno, aquele descrito pelo Dante Alighieri, na Divina Comédia.
         Para nossa sorte, as certezas de cataclismos sinalizadas por diferentes mitologias trazem também a promessa de um mundo novo, cheio de virtudes. O problema é que essa nova era será exclusiva dos afortunados, dos arrebatados, dos abduzidos, dos elevados, dos glorificados... dos puros de coração. Os impuros não terão vez nesse paraíso “tropical” prometido. Como já disse o poeta romano Juvenal O destino dará reinos aos escravos e triunfos aos cativos”.
 Então, quem são esses eleitos que escaparão do destino trágico, reservado aos meros e pecadores mortais? Certamente não serão os beatos arrogantes, cheios de preconceitos, que julgam a tudo e a todos e que pedem a danação do fogo eterno aos seus semelhantes. Contudo a esperança que faz parte do imaginário humano é a de estar entre os escolhidos que sobreviverão ao trágico destino reservado à humanidade. Essa expectativa praticamente se confunde com o desejo desesperador de escapar de triste sina, ou seja, de uma morte imposta pelo castigo divino.
Assim, enquanto 21 de dezembro de 2012 não chega, e diante dessa nefasta possibilidade de essa ser a data final, céticos e crentes aguardam de um jeito cínico e nervoso pelo Caos...  Apocalipse, Armagedon,  Ragnarok ou qualquer nome que se queira entre esses e tantos outros não elencados. E se essa for uma verdade da qual não pudermos evitar, o melhor que temos a fazer é tentar a elevação espiritual já que Não poucas vezes esbarramos com o nosso destino pelos caminhos que escolhemos para fugir dele”, Jean de La Fontaine, escritor francês. Quem viver verá. Ou talvez não.